O Sindicato dos Médicos Angolanos defende o reforço da vigilância nas fronteiras do país para impedir a entrada do vírus Ébola em Angola, na sequência da evolução do surto registado na República Democrática do Congo (RDC).
O presidente da organização, Adriano Manuel, considera positiva a decisão das autoridades angolanas de reforçar o dispositivo de preparação e resposta à doença, mas alerta que o controlo nas fronteiras deve ser acompanhado pelo cumprimento rigoroso das medidas de protecção individual.
As autoridades angolanas reforçaram as medidas de vigilância nos aeroportos, portos marítimos e fronteiras terrestres, no âmbito do Plano Nacional de Contingência contra o Ébola.
A operação envolve as autoridades sanitárias e migratórias, as forças de defesa e segurança, transportadoras e administrações locais, numa estratégia destinada a reforçar a prevenção, a vigilância epidemiológica e a capacidade de resposta a eventuais casos.
Para Adriano Manuel, a prioridade deve ser evitar que o vírus entre no território nacional, através de mecanismos eficazes de controlo e prevenção.
“Nós devemos encontrar todos os meios e todos os mecanismos para contermos e impedirmos a entrada desta doença no nosso país”, defendeu.
O presidente do Sindicato dos Médicos considera, entretanto, que a vigilância fronteiriça, por si só, não é suficiente. Na sua perspectiva, é igualmente necessário assegurar o cumprimento das medidas de protecção individual por parte dos profissionais de saúde e das populações potencialmente expostas.
Adriano Manuel manifesta ainda preocupação com a resposta das autoridades sempre que Angola enfrenta o risco de importação de doenças provenientes de países vizinhos.
“Temos estado a observar que as medidas do Governo, sempre que se regista uma ameaça de propagação ou contaminação em Angola de uma doença proveniente dos países vizinhos, têm-se mostrado a desejar”, afirmou.
O alerta dos médicos angolanos surge num contexto de preocupação com a evolução do surto de Ébola na região leste da RDC, país que partilha uma extensa fronteira com Angola.
Cerca de dois meses e meio após a declaração do surto, a situação epidemiológica continua a exigir atenção das autoridades sanitárias, com as equipas médicas a manterem operações de resposta e controlo da doença.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) citados no balanço, até 1 de Agosto tinham sido reportados 3.605 casos confirmados na RDC, tornando este o maior surto de Ébola registado no país e ultrapassando a epidemia de 2018.
Perante a circulação de pessoas entre a RDC e Angola, o Sindicato dos Médicos considera fundamental manter uma vigilância apertada nos principais pontos de entrada do território nacional, reforçar a preparação das unidades sanitárias e garantir equipamentos de protecção para os profissionais.
A prevenção, segundo Adriano Manuel, deve permitir detectar rapidamente eventuais casos suspeitos e impedir uma eventual cadeia de transmissão dentro do país.