O Papa Leão XIV decidiu enviar ajuda económica à Cáritas Nepal para apoiar as populações afectadas pela devastadora enxurrada registada na Quarta-feira, 27, no norte do Nepal, junto à fronteira com a China.
O apoio, canalizado através do Dicastério para o Serviço de Caridade, com o acordo da Nunciatura Apostólica, constitui uma primeira resposta do Vaticano às necessidades mais urgentes das comunidades atingidas pela catástrofe.
Os recursos serão destinados à assistência imediata, incluindo a distribuição de alimentos e bens de primeira necessidade, além do reforço dos albergues que acolhem pessoas desalojadas pela enxurrada.
A decisão do Papa surge num momento em que as autoridades nepalesas e chinesas continuam a enfrentar enormes dificuldades nas operações de socorro, busca e identificação das vítimas.
De acordo com os dados mais recentes, a tragédia provocou 683 mortos no Nepal e no Tibete e deixou cerca de 3.000 pessoas desaparecidas, entre as quais mais de 500 estrangeiros. Entre os estrangeiros desaparecidos estão três cidadãos portugueses.
Só no Nepal, as autoridades contabilizam 675 mortos e 2.426 desaparecidos, enquanto a China confirmou sete mortes no Tibete.
Os balanços continuam a ser actualizados devido às dificuldades de acesso às zonas afectadas e aos problemas de comunicação, que têm condicionado as operações de emergência.
A dimensão da catástrofe também provocou dificuldades na identificação dos corpos. Com as morgues saturadas e a rápida deterioração dos cadáveres recuperados nos rios, as autoridades nepalesas iniciaram a recolha em massa de amostras de ADN para tentar identificar as vítimas antes do sepultamento dos corpos não reconhecidos.
O Governo do Nepal pediu ainda assistência internacional especializada em matéria forense e de conservação de cadáveres, bem como o envio de equipas técnicas para apoiar as operações de resgate de centenas de trabalhadores que poderão estar presos em túneis inundados de centrais hidroeléctricas.
Nos dois lados da fronteira, cerca de 3.000 pessoas permanecem desaparecidas. No Tibete, a China incluiu 260 estrangeiros numa lista de desaparecidos, sem especificar as nacionalidades, e informou que mantém contactos com as respectivas embaixadas.
O apoio anunciado por Leão XIV soma-se, assim, aos esforços nacionais e internacionais para responder à emergência, numa altura em que o Nepal necessita simultaneamente de assistência humanitária imediata e de apoio especializado para lidar com as consequências da catástrofe.