Terrorismo e extremismo levam UA a exigir reformas nos mecanismos de segurança – Correio da Kianda

O presidente da Comissão da União Africana (UA), Mahmoud Ali Youssouf, defendeu hoje, em Luanda, reformas urgentes nos mecanismos africanos de prevenção e resolução de conflitos, face à expansão do terrorismo e do extremismo violento no continente.

Ao discursar na abertura da 26.ª Sessão Extraordinária do Conselho Executivo da União Africana, dedicada ao reforço dos mecanismos de prevenção e resolução de conflitos em África, o responsável alertou que o ambiente de paz e segurança no continente está cada vez mais fragilizado e complexo.

Mahmoud Ali Youssouf destacou, entre os principais desafios, a expansão do terrorismo e do extremismo violento, a complexidade das crises internas, o risco de propagação dos conflitos para países vizinhos, o aumento das tensões entre Estados e os efeitos de choques e interferências externas.

Perante este cenário, o presidente da Comissão da UA questionou se África dispõe actualmente de estratégias, mecanismos e recursos suficientes para responder às novas ameaças e se a Arquitectura Africana de Paz e Segurança está devidamente adaptada às circunstâncias actuais.

“Estamos equipados para enfrentar estes desafios com as estratégias, mecanismos e recursos actualmente disponíveis?”, questionou, defendendo que, caso a resposta seja negativa, África deve avançar rapidamente com as reformas.

Entre as prioridades apontadas está o reforço da prevenção e dos sistemas de alerta precoce, acompanhado de uma presença política ao mais alto nível desde os primeiros sinais de uma crise.

O responsável defendeu também uma melhor articulação entre a Comissão da União Africana, o Conselho de Paz e Segurança, os Estados-membros e as Comunidades Económicas Regionais, para garantir respostas mais coordenadas às crises.

Na luta contra o terrorismo, Mahmoud Ali Youssouf considerou necessária uma abordagem abrangente e a partilha de meios entre os países, advertindo que uma resposta exclusivamente baseada na segurança militar já demonstrou limitações.

O presidente da Comissão da UA defendeu ainda firmeza contra mudanças inconstitucionais de governos, mas associada ao diálogo, e apelou a um reforço do financiamento africano das operações de paz, incluindo o fortalecimento do Fundo de Paz da União Africana.

Segundo Mahmoud Ali Youssouf, o financiamento da agenda de paz e da iniciativa “Silenciar as Armas até 2030” não pode continuar excessivamente dependente de recursos externos. Defendeu igualmente o reforço da aplicação da Resolução 2719 do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O responsável apontou, por outro lado, a necessidade de criar mecanismos de acompanhamento e avaliação das decisões adoptadas pelos órgãos da União Africana, com maior responsabilização e capacidade de introduzir ajustamentos.

A 26.ª Sessão Extraordinária do Conselho Executivo decorre este sábado, em Luanda, antecedendo a 21.ª Sessão Extraordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana, marcada para domingo. O encontro pretende avaliar a eficácia dos actuais mecanismos continentais de prevenção e resolução de conflitos e adoptar medidas para reforçar a Arquitectura Africana de Paz e Segurança.

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