Os Estados Unidos justificaram a suspensão temporária de novas sanções contra a Rússia com a necessidade de avaliar os efeitos das medidas restritivas na economia mundial e norte-americana, numa decisão que provocou críticas da Ucrânia e novas tensões entre Washington e Kiev.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou, neste sábado, que o Presidente Donald Trump pretende aproveitar um período de 60 dias para analisar o impacto das sanções e das tarifas aduaneiras sobre a economia internacional, incluindo os efeitos nos preços da energia.
“O Presidente pretende utilizar este período de 60 dias para analisar o efeito tanto das sanções como dos direitos aduaneiros na economia mundial e até mesmo na economia norte-americana”, declarou Marco Rubio, antes de partir para uma visita oficial ao Uzbequistão e à Índia.
Segundo o chefe da diplomacia norte-americana, os conflitos internacionais estão a exercer pressão sobre os mercados energéticos, com repercussões nos preços do petróleo e do gasóleo e no funcionamento geral da economia. Rubio apontou, entre outros factores, a guerra envolvendo os Estados Unidos e o Irão e os ataques dos rebeldes Huthis do Iémen contra interesses sauditas.
A decisão de Donald Trump foi anunciada na noite de sexta-feira, através de um decreto presidencial publicado pela Casa Branca, e incide sobre medidas previstas na chamada Lei Graham, aprovada em Setembro com o objectivo de reforçar a pressão sobre o sector energético russo.
A suspensão foi criticada pela Ucrânia, que considera as medidas de pressão sobre Moscovo importantes no contexto da guerra em curso. A decisão surge também num momento de tensão nas relações entre Washington e Kiev, depois de divergências recentes sobre a política norte-americana em relação à Rússia.
As decisões da administração Trump têm levantado preocupações em Kiev, sobretudo devido à possibilidade de flexibilização das restrições económicas impostas a Moscovo e aos seus efeitos sobre o esforço ucraniano perante a ofensiva russa.
A pausa de 60 dias anunciada por Washington deverá permitir à administração norte-americana avaliar os efeitos económicos das medidas antes de definir os próximos passos da sua política de sanções.