O especialista em Saúde Pública, Jeremias Agostinho, considera que a aposta do Executivo na instalação de fábricas de medicamentos representa um passo importante para reduzir a dependência de Angola das importações de produtos farmacêuticos.
No entanto, alerta que o sucesso da iniciativa dependerá da capacidade de o país resolver os problemas estruturais que continuam a afectar o abastecimento de medicamentos nas unidades sanitárias.
Em declarações ao programa Capital Central, da Rádio Correio da Kianda, o médico afirmou que a construção de unidades fabris poderá reforçar a segurança sanitária nacional, sobretudo em momentos de crise internacional, quando o acesso aos medicamentos se torna mais difícil.
“Nós ainda temos um longo caminho a percorrer, mas é claro que a entrada em funcionamento dessas empresas de produção de medicamentos será uma mais-valia para todos nós.
Haverá algumas dificuldades, mas penso que este será o primeiro passo de uma grande caminhada”, afirmou.
Apesar do optimismo, Jeremias Agostinho advertiu que a produção nacional não resolverá, de forma imediata, as dificuldades enfrentadas pelos hospitais e pelos utentes.
Segundo o especialista, um dos maiores desafios continua a ser o abastecimento regular de medicamentos nas unidades de saúde, situação que compromete a prestação de cuidados e obriga, muitas vezes, os doentes a adquirirem os fármacos em farmácias privadas.
Outro desafio, acrescentou, será garantir que a produção local cumpra padrões internacionais de qualidade, disponha de matéria-prima, mão-de-obra qualificada e uma cadeia logística capaz de distribuir os medicamentos de forma eficiente para todas as províncias.
Jeremias Agostinho considera igualmente essencial que o país invista na formação de farmacêuticos, investigadores e técnicos especializados, bem como no fortalecimento da entidade reguladora, para assegurar que os medicamentos produzidos em Angola sejam seguros, eficazes e competitivos.
O especialista também relativizou a expectativa de uma redução imediata dos preços dos medicamentos, explicando que o custo final dependerá de factores como o preço das matérias-primas, os custos de produção, a escala industrial, os incentivos fiscais e a eficiência da distribuição.
As declarações surgem numa altura em que o Executivo acelera a implementação da indústria farmacêutica nacional. Na Zona Económica Especial (ZEE) estão em construção 12 fábricas de medicamentos e consumíveis hospitalares, algumas em fase avançada de execução, com o objectivo de aumentar a produção local, reduzir a factura das importações e melhorar o abastecimento do Serviço Nacional de Saúde.
Para Jeremias Agostinho, o verdadeiro impacto destas unidades será medido pela sua capacidade de garantir medicamentos acessíveis, disponíveis de forma contínua e distribuídos de forma equitativa em todo o território nacional, reforçando a resposta do sistema de saúde às necessidades da população.