Candidatos ao Concurso Público de Ingresso Externo 2026 do Ministério da Educação denunciam alegadas práticas de tribalismo, regionalismo e favorecimento no processo de selecção, defendendo maior transparência para garantir igualdade de oportunidades no acesso às vagas disponibilizadas pelo Estado.
As preocupações foram manifestadas por concorrentes de diferentes províncias, que receiam que critérios alheios ao mérito possam influenciar os resultados do concurso destinado ao recrutamento de 9.000 novos funcionários para o sector da Educação.
Na província do Namibe, o académico Alberto Cavuvi apelou a uma fiscalização rigorosa de todas as fases do concurso e defendeu que a escolha dos candidatos seja feita exclusivamente com base na competência e no mérito.
“Ainda se vive muitas questões ligadas ao tribalismo e ao regionalismo nas nossas comunidades. Esperamos que os júris sejam guiados exclusivamente pela meritocracia”, afirmou.
Na Huíla, o candidato Nenvíl Francisco disse encarar o concurso com poucas expectativas, alegando que os frequentes relatos de favorecimento nos processos de recrutamento da função pública alimentam a desconfiança entre os concorrentes.
“Honestamente, não tenho muitas expectativas em relação a este concurso. As alegadas irregularidades levam-nos a ter outra perspectiva, porque ouvimos muitos relatos de favorecimento, o que gera frustração e reduz as expectativas de acesso ao próprio ministério”, declarou.
Já Alexandre Sanda, candidato do município do Soyo, na província do Zaire, defendeu que o Ministério da Educação deve apostar na digitalização de todo o processo de recrutamento, desde as inscrições até à publicação das listas, para reduzir falhas, aumentar a transparência e acelerar a divulgação dos resultados.
“O Ministério da Educação deveria apostar em novas formas de inscrição, recepção de documentos e publicação das listas. O processo seria mais rápido, menos desgastante para os candidatos e mais preciso se fosse mais digital”, sugeriu.
As denúncias surgem numa altura em que decorre o Concurso Público de Ingresso Externo 2026, lançado pelo Ministério da Educação para preencher 9.000 vagas em todo o território nacional, com o objectivo de reforçar o sistema de ensino.
Os candidatos defendem que a credibilidade do concurso depende da adopção de mecanismos que garantam imparcialidade, transparência e igualdade de oportunidades, evitando qualquer forma de discriminação, favorecimento ou influência de critérios regionais e tribais na selecção dos futuros funcionários públicos. Até ao momento, o Ministério da Educação não se pronunciou sobre as alegações apresentadas pelos concorrentes.