O economista José Ambrósio defende mudanças estruturais no sector petrolífero para evitar que Angola volte a enfrentar dificuldades no abastecimento de combustíveis.
Na sequência do reconhecimento, por parte do Executivo, da existência de constrangimentos no fornecimento de alguns derivados de petróleo, o especialista considera importante que o país avance para soluções de longo prazo, deixando de depender apenas de medidas de emergência.
Segundo José Ambrósio, a actual situação revela fragilidades na cadeia de abastecimento nacional, sobretudo devido à elevada dependência das importações de combustíveis refinados, apesar de Angola ser um dos maiores produtores de petróleo do continente.
O economista explica que a falta de capacidade suficiente de refinação interna torna o país vulnerável às oscilações do mercado internacional e às dificuldades logísticas de aquisição dos derivados.
Para Ambrósio, uma das prioridades deve ser o reforço da capacidade de refinação nacional, aliado a uma estratégia que garanta maior estabilidade no fornecimento de combustíveis.
O especialista aponta ainda a necessidade de melhorar a sustentabilidade financeira da Sonangol, enquanto principal responsável pela importação de combustíveis, e reforçar a logística de armazenamento e distribuição.
José Ambrósio defende que o combustível deve ser encarado como um sector estratégico, pelo impacto directo que tem nos transportes, na produção, nas empresas e no custo de vida das famílias.
O economista entende que a actual crise deve servir como oportunidade para implementar reformas que reduzam a dependência externa e garantam maior segurança energética ao país.
A necessidade de aumentar a capacidade interna de refinação e reduzir a dependência das importações tem sido apontada como um dos principais desafios do sector petrolífero angolano.