As declarações do Rei do Bailundo, Tchongolola Tchongonga, sobre o papel da mulher na liderança política suscitaram uma resposta do historiador Martinho Jamba Nganga, evidenciando posições divergentes sobre a participação feminina nos cargos de poder em África.
Durante uma intervenção pública, o soberano defendeu que, na tradição africana, o poder deve permanecer nas mãos dos homens. Segundo Tchongolola Tchongonga, as mulheres têm um papel importante no desenvolvimento social e económico, mas não devem assumir a liderança política. O rei criticou ainda o que classificou como a importação de valores “eurocêntricos” para a realidade africana e apontou exemplos de países da região para sustentar a sua posição.
Em reacção, o historiador Martinho Jamba Nganga afirmou, em declarações à Rádio Correio da Kianda, que a visão do soberano reflecte uma concepção tradicional dos povos Bantu, mas considerou que ela precisa de ser contextualizada à luz das transformações sociais e dos princípios actuais de igualdade de género.
O académico recordou que os instrumentos internacionais, incluindo os promovidos pelas Nações Unidas, defendem a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, tanto no acesso ao conhecimento como no exercício de funções de liderança.
Martinho Jamba Nganga acrescentou que a divisão rígida de papéis entre homens e mulheres, tanto na vida familiar como profissional, já não corresponde às exigências do século XXI, defendendo um equilíbrio que permita a ambos partilhar responsabilidades e oportunidades.
As posições contrastantes do Rei do Bailundo e do historiador reacendem o debate sobre a relação entre tradição, cultura e igualdade de género na sociedade angolana contemporânea.