O MPLA, hoje, é uma tragédia grega. O processo da glória como na história grega do herói é trágico. A figura mítica. Esfuma-se! O 21 de Julho de 2026, depois das “capapinadas” deverá ser instituído, pelo próximo presidente dos “camaradas”, João Lourenço, ou mesmo da oposição Adalberto Costa Júnior, como o “Dia Nacional da Vergonha do MPLA”.
Por William Tonet
Vamos aos casos da boçalidade épica interpretativa:
“9. – A subcomissão considera NULA a candidatura apresentada”, vociferou Job Capapinha (JC), numa abjecta conferência de imprensa.
Mais, sendo o único subscritor de medida de órgão colegial, JC, violou o art.º 20.º do Regulamento Eleitoral, conjugado com o n.º 5 da al.ª c) do art.º 36.º da Comissão Eleitoral: “proceder à identificação dos possíveis erros ou falsas informações nas autobiografias ou sínteses biográficas dos candidatos e garantir as correcções que se julguem necessárias”.
Daí o coordenador da subcomissão de candidaturas tornar nulo um acto nunca antes validado consistir num mérito mafioso. Diabólico!
O feito esdrúxulo de Capapinha subverter, à luz do dia, com “armas assassinas”, articulados dos próprios estatutos que nunca leu, contra um camarada de partido, despido de armas, polícia e exército é merecedor de tal desígnio. Nenhum cego ou brutamontes, faria melhor… E, tem mais: “7.1. Na província de Luanda, confirmou-se a existência de uma Declaração de Apoio à Candidatura, falsamente atribuída a Camarada Djamila Huguette da Silva de Almeida, Membro do Bureau Político do MPLA que, prontamente declarou de forma expressa e inequívoca, em carta dirigida a Subcomissão, que não escreveu, não autorizou e nem assinou qualquer documento de apoio a referida candidatura”.
Como esta membro do bureau político do MPLA, que preteritamente, havia dado voto a João Lourenço, tomou conhecimento do nome, nas fichas apresentadas por Higino Carneiro? Quem lhe informou? Por que o fez?
A violação da aceitação tácita é, a luz do Código Administrativo e Código Civil, um ilícito, passível de procedimento criminal por, primeiro, ter concordado através de acções e comportamentos como membro do BP dando apoio ao candidato JLO e, depois, por escrito endossar assinatura a HC.
No caso do mandatário de Higino Carneiro provar que não consta nenhuma Djamila Huguette de Almeida, nas fichas de subscrição esta, tal como, Job Capapinha, coordenador da sub comissão de candidaturas e João Lourenço, coordenador da Comissão Nacional Preparatória do Congresso, podem ser indiciados no crime de falsificação de documentos, vide art.º 251.º do Código Penal, cuja moldura penal é de prisão até 2 anos ou multa até 240 dias, aplicável contra quem tiver o propósito de causar prejuízo a outra pessoa ou de obter um benefício para si ou para terceiros, elaborando documento falso imitando o verdadeiro ou alterar documento verdadeiro. Se usarem assinatura alheia sem consentimento, para ocultar ou inserir factos falsos relevantes, em documentos públicos a pena pode ser agravada para 2 a 6 anos.
“7.2. Na Província de Cabinda, foi confirmada uma declaração de apoio à Candidatura com um Bilhete de Identidade n.º 000771195CA38 falsificado, emitido em nome do Senhor Mateus Muanda”.
JC ao plantar, sem justificar, mais uma alegada falsidade, na província mais contestatária do regime, demonstra flagrante parcialidade, no exercício de funções. Porque a ser verdadeiro, está-se diante de um crime de falsidade informática, art.º 442.º do CP (Código Penal), imputável a Muanda, se provado ou a Capapinha se não provado. E, aqui a porca, também, torce o rabo. Como JC obteve a confirmação de documento informático, se inexiste processo junto do SIC e Ministério da Justiça?
Este preceito legal pune o falsificador que altera dados em sistemas informáticos para criar prova falsa. A pena vai de 2 a 5 anos de prisão maior.
Uma fonte da Conservatória dos Registos de Cabinda considera o BI forjado, para além de não existir coincidência entre o número e o nome. “Em Cabinda não conhecemos esse cidadão, como militante”, disse Mfumu Buala, diferente de um antigo administrador municipal, Pedro Isaac Morais, CAP 2, Simulambuco, Liambo Cabinda, que publicamente veio dizer ter subscrito a candidatura de Higino Carneiro.
A candidatura de João Lourenço, para desgraça de Carlos Feijó, mostra só ser forte com os fracos, desarmados, mas fraco com os fortes. Um candidato que altera as regras de jogo, com armas bélicas, em cima da mesa, para responder ao verbo do adversário, que ousar respeitar os Estatutos e os regulamentos, tudo para manutenção no poder. E, para esse desígnio, não se importam em destruir o próprio MPLA.
Capapinha, enquanto bajulador deu ao bajulado mais do que ele pediu… Colocou João Lourenço na situação de indigente intelectual, como se fosse um medroso, covarde, que teme participar em eleições livres, justas e democráticas.
Job Capapinha mostrou, no 21 de Julho que quem ousar, no consulado de João Lourenço respeitar os Estatutos e regulamentos eleitorais do MPLA deve ser, copiosamente, combatido com todos os meios da justiça e defesa e segurança partidocratas disponíveis.
Ao confundir irregularidades com nulidades, ao contar mal, Job Capapinha denota desconhecimento aritmético gritante, como este de HC, na sua própria terra, Kwanza Sul não ter tido nenhuma assinatura válida. Veja-se a conta da subcomissão: 1300 (assinaturas entregues HC) – 1297 (assinaturas invalidadas por J.Capapinha) = 0.
Ora, nesta conta, mesmo um menino da terceira classe sabe que faltam 3 assinaturas. Onde foram? Quem as desflorou e não assume o crime de violação?
Por outro lado, a subcomissão de Candidaturas, não é órgão independente, imparcial e justo, por integrar a Comissão Nacional Preparatória, dirigida pelo Presidente do Partido cessante que é candidato à sua própria sucessão.
O MPLA mostra o seu analfabetismo democrático e, tivesse higiene intelectual pediria aulas básicas de democracia interna à UNITA, que realiza congressos com múltiplas candidaturas, comissões eleitorais independentes, integradas por membros da sociedade civil e observadores nacionais e internacionais, para aferir da lisura do conclave.
O MPLA, hoje, parece um bordel rasca de quinta categoria, onde o sexo é colectivo feito em colchões de betão. Aliás não é sem razão que admite, sexo ao vivo, nas “Reives” por parte de jovens, um pouco por todos os bairros de Luanda.