O encaminhamento tardio de pacientes com queimaduras graves continua a ser um dos principais desafios do sistema nacional de saúde, comprometendo as hipóteses de recuperação e aumentando o risco de complicações clínicas. Para inverter este cenário, o Ministério da Saúde promoveu, em Luanda, o Seminário Nacional de Abordagem ao Paciente Queimado, destinado a uniformizar os procedimentos de referenciação em todo o país.
Durante o encontro, o director-geral do Instituto de Especialização em Saúde, Jamel Kitumba, explicou que a criação do Hospital de Queimados “Presidente Julius Nyerere” pretende fortalecer a capacidade de resposta aos casos de maior complexidade, assegurando que os pacientes cheguem atempadamente aos cuidados especializados de que necessitam.
Segundo o responsável, a nova unidade funcionará como hospital nacional de referência para queimaduras graves, mas não substituirá os serviços prestados pelos hospitais gerais e centros de saúde. O primeiro atendimento deverá continuar a ser realizado nas unidades sanitárias mais próximas do local da ocorrência, onde os doentes receberão os cuidados iniciais e serão submetidos a avaliação clínica.
Só depois dessa avaliação, os casos que exijam tratamento altamente especializado serão encaminhados para o Hospital Julius Nyerere. A medida visa evitar atrasos na referenciação, melhorar a articulação entre os diferentes níveis de assistência e garantir que os pacientes mais graves recebam cuidados diferenciados no momento adequado.
O seminário serviu ainda para reforçar a necessidade de uniformizar os protocolos clínicos e capacitar os profissionais de saúde, numa altura em que as autoridades procuram reduzir as sequelas e a mortalidade associadas às queimaduras graves através de uma resposta mais rápida e coordenada em todo o território nacional.