Kwenda beneficia milhões, mas especialistas defendem políticas além das transferências sociais – Correio da Kianda

O Programa Kwenda já beneficiou mais de 1,3 milhões de agregados familiares, correspondentes a cerca de 6,5 milhões de cidadãos, mas especialistas defendem que o combate à pobreza em Angola deve ser acompanhado por políticas estruturais capazes de promover autonomia económica das famílias.

Os dados foram apresentados pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, durante o lançamento da ampliação do Cadastro Social Único (CSU), uma plataforma criada para melhorar a identificação das famílias em situação de vulnerabilidade e tornar mais eficaz a aplicação dos programas sociais.

Para o especialista em Gestão e Administração Pública, Denílson Duro, que falou recentemente à Rádio Correio da Kianda, os programas de transferência social representam um apoio importante para famílias em situação de vulnerabilidade, mas devem ser complementados com medidas que promovam emprego, qualificação profissional e inclusão produtiva.

Segundo Denílson Duro, a sustentabilidade das políticas sociais depende da capacidade do Estado em transformar os beneficiários em participantes activos da economia, reduzindo gradualmente a dependência dos apoios directos.

O especialista defende que o combate à pobreza deve envolver uma estratégia integrada, com maior aposta na criação de oportunidades, fortalecimento do sector produtivo e melhoria dos serviços essenciais como educação e saúde.

José de Lima Massano destacou que o combate à pobreza continua entre as prioridades do Executivo, assente numa estratégia que combina crescimento económico, desenvolvimento do capital humano e inclusão social.

O ministro de Estado informou ainda que a insegurança alimentar severa em Angola reduziu cerca de 40% entre 2023 e 2025, passando de 19,5% para 11,7% da população.

Com a expansão do Cadastro Social Único, o Governo pretende reforçar a gestão das políticas sociais, através de uma base integrada de dados que permita identificar com maior rigor as famílias vulneráveis e direccionar os apoios de forma mais eficiente.

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