O sector pesqueiro em Angola regista uma evolução positiva nos níveis de captura, mas admite que a produção alcançada continua insuficiente para responder às necessidades do país e aos objectivos definidos para 2026.
Nos primeiros oito meses do ano, a pesca industrial e semi-industrial capturou 214.762,4 toneladas de pescado, cerca de 80% do Total Admissível de Captura (TAC) fixado para 2026, em 268.453 toneladas.
Os dados foram avançados pela directora do Departamento Nacional de Pescas e Sal, Fátima Delicado, durante a apresentação da 2.ª Conferência Internacional de Pesca e Aquicultura Sustentável (CIPAS’ 2026).
A responsável atribui o aumento da produção à melhoria das práticas de gestão e à integração dos ecossistemas, ao contributo da ciência para o tratamento e gestão das espécies e recursos, bem como ao reforço das parcerias internacionais e à implementação de medidas com impacto directo na aquacultura.
Apesar do desempenho registado, Fátima Delicado reconhece que os actuais níveis de captura ainda não são suficientes face às necessidades e aos objectivos estabelecidos para o sector, embora a produção industrial e semi-industrial já tenha atingido uma parcela significativa do limite anual definido.
Na pesca artesanal, foram capturadas 480 mil toneladas de pescado, correspondentes a 80% da meta global de aproximadamente 600 mil toneladas programada pelo Executivo para 2026.
A responsável informou igualmente que a produção combinada da pesca extractiva e da aquicultura tem permitido mitigar parte do défice de pescado, contribuindo para o reforço da segurança alimentar no país.
A aquicultura surge, neste contexto, como uma das apostas para aumentar a oferta de pescado. Segundo Fátima Delicado, a actividade está a ser desenvolvida em todo o território nacional, tanto nas províncias costeiras como nas do interior.
Os resultados, acrescentou, têm sido positivos para a sustentabilidade da actividade e para a subsistência das famílias rurais envolvidas na produção aquícola.
Entre as principais espécies produzidas destacam-se a tilápia, conhecida em Angola como cacusso, e o bagre.