O Estado angolano encaixou 300,3 mil milhões de kwanzas (288 milhões de euros), com a venda de 15% da Unitel, a um preço por acção de 40.040 kwanzas (38,5 euros) e a procura a superar a oferta 120 vezes.
Em comunicado hoje divulgado, a Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) informou que a procura pelos 7,5 milhões de acções da operadora de telecomunicações, alienadas pelo Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), ascendeu a 9.054.299 títulos.
Das 17.549 ordens de subscrição recebidas, foram contempladas 16.571, correspondentes a 11.264 investidores que se tornaram novos accionistas da UNITEL, segundo a BODIVA.
A liquidação física e financeira da operação está marcada para terça-feira, seguindo-se a admissão à negociação da totalidade das ações da UNITEL na bolsa angolana, na quarta-feira, quando os títulos passam a ser livremente transacionáveis.
A OPV, iniciada a 6 de Julho e encerrada a 24 de Julho, insere-se no Programa de Privatizações do executivo angolano (Propriv) e é a maior de sempre em Angola.
Dos 15% do capital colocados à venda, 2% estavam reservados aos trabalhadores da empresa e 13% destinados ao público em geral.
A UNITEL é a maior operadora de telecomunicações angolana, com mais de 70% da quota de mercado, é a primeira empresa do sector das telecomunicações a entrar na bolsa angolana.
A UNITEL era detida em partes iguais pelo Estado angolano, através do IGAPE, e pela petrolífera estatal (do MPLA) Sonangol.
Anteriormente, o capital estava repartido em quatro participações de 25% — a PT Ventures (subsidiária da portuguesa Portugal Telecom, mais tarde integrada na brasileira Oi), a MSTelcom/Sonangol, a Vidatel, da empresária angolana Isabel dos Santos, e a Geni, do general Leopoldino Fragoso do Nascimento, “Dino”.
A Sonangol adquiriu a posição da PT Ventures em Janeiro de 2020, passando a controlar metade da empresa e em Outubro de 2022, o Presidente do MPLA (nas funções, por inerência, de Presidente da República), general João Lourenço, decretou a nacionalização das participações da Vidatel e da Geni, transferindo para o Estado a totalidade do capital da operadora.
A lista de empresas a privatizar até ao final do ano inclui mais dez activos, incluindo a Angola Telecom, que fornece serviços de Internet, telefonia fixa e infraestrutura de redes.