Pedidos de financiamento das empresas afectadas pelas cheias em Benguela superam verba disponível – Correio da Kianda

Os pedidos de financiamento apresentados pelas empresas afectadas pelas cheias do rio Cavaco, na província de Benguela, já ultrapassam a verba disponibilizada pelo Executivo para apoiar a recuperação dos negócios atingidos pelas inundações registadas em Abril deste ano.

Dados do processo indicam que as empresas recorreram ao Banco de Poupança e Crédito (BPC) com pedidos de financiamento avaliados em 34,632 mil milhões de kwanzas, enquanto o Executivo disponibilizou 30 mil milhões de kwanzas para a linha de crédito destinada às empresas afectadas.

A diferença entre os pedidos e a verba disponível ronda os 4,632 mil milhões de kwanzas, revelando uma procura superior à capacidade financeira inicialmente prevista no programa de apoio.

Apesar da pressão sobre os recursos disponíveis, o processo de desembolso já começou. O director do Gabinete Provincial para o Desenvolvimento Económico Integrado de Benguela, Lino Cassivela, informou que dez empresas já receberam os primeiros desembolsos.

Dos 241 processos registados, 47 foram aprovados, enquanto 40 empresas foram visitadas pelas equipas técnicas responsáveis pela avaliação dos prejuízos.

“Dessas 241 empresas ou 241 processos, 47 foram aprovados, 40 foram visitados que faz deste lote, e, felizmente, dez empresas já foram desembolsadas. E ainda há a confirmação que eles vão ser evolutivos”, afirmou Lino Cassivela, em declarações à RNA.

O responsável explicou que a atribuição dos apoios obedece aos critérios definidos pelo decreto que estabelece as medidas de alívio para as empresas afectadas pelas cheias.

O tecto máximo de financiamento é de 300 milhões de kwanzas por empresa. Assim, mesmo nos casos em que os prejuízos sejam superiores a esse valor, o apoio concedido ao abrigo deste programa não ultrapassará o limite estabelecido.

“O decreto diz que são medidas de alívio, portanto, definiu que o montante máximo são de 300 milhões para as empresas. Por exemplo, quem teve prejuízo de 900 milhões não poderá ter acesso a essa cobertura financeira, mas sim poderá concorrer até os 300 milhões”, esclareceu.

A linha de crédito, com condições bonificadas, foi criada para apoiar a reposição dos activos produtivos, reforçar a liquidez das empresas e reduzir o risco de encerramento de negócios afectados pelas inundações.

Entretanto, a diferença entre os pedidos apresentados e os recursos disponíveis poderá representar um desafio para a cobertura integral das necessidades das empresas atingidas, sobretudo perante a dimensão dos prejuízos provocados pelas cheias.

Além da limitação financeira, alguns empresários têm manifestado preocupação com a demora nos procedimentos administrativos, numa altura em que consideram urgente a disponibilização dos recursos para retomar as actividades e recuperar os activos destruídos pelas inundações.

O Executivo iniciou, assim, a fase de desembolsos, mas o volume de pedidos apresentados pelas empresas demonstra que as necessidades de financiamento identificadas no terreno superam os 30 mil milhões de kwanzas inicialmente disponibilizados para o programa.

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