NAMÍBIA DÁ PRIORIDADE À AGRICULTURA

A Presidente da Namíbia manifestou hoje, na capital angolana, o desejo da conclusão urgente do projecto transfronteiriço hídrico que vai ajudar o sector agrícola dos dois países e apoiar o desenvolvimento da agricultura nas zonas áridas namibianas. 

Netumbo Nandi-Ndaitwah, que discursava junto do seu homólogo angolano, João Lourenço, no quadro da primeira visita de Estado que efectua a Angola, referia-se à extensão do projeto hídrico do Cafu, na província angolana do Cunene, para a Namíbia, e ao comissionamento da estação de bombagem de água em Calucuve, também no Cunene.

“A agricultura para nós é uma prioridade e, em conjunto com Angola, gostaríamos de investir na agricultura e no agroprocessamento como forma de garantir segurança alimentar e criar empregos para os nossos povos”, referiu.

A chefe de Estado namibiana realçou ainda que a proposta de extensão ferroviária entre Oshikango (Namíbia) e Santa Clara (Angola) vai melhorar a conectividade, reduzir custos de transporte, bem como facilitar a circulação livre de bens e mercadorias entre os dois países.

“É crucial que as nossas instituições sejam orientadas a continuar a avançar essas iniciativas, mediante intercâmbios técnicos e planos técnicos, no sentido de garantir a sua implementação”, referiu.

A Presidente da Namíbia apontou também a necessidade de atenção ao comércio transfronteiriço, assim como aos desafios vividos ao longo da fronteira comum, que podem provocar o aumento dos custos de negócios e limitar as oportunidades, particularmente aos comerciantes de pequena escala.

Segundo Netumbo Nandi-Ndaitwah, a conclusão de acordos bilaterais marca um passo significativo para reforço da segurança energética e promoção de desenvolvimento económico sustentável, não apenas para a Namíbia e Angola, mas em toda a região austral.

Com a implementação do projeto Baynes (que envolve a construção de uma barragem hidroeléctrica no rio Cunene), a industrialização da região austral “será uma realidade”, prosseguiu, defendendo ser uma prioridade e um imperativo que a sua implementação seja feita nos prazos previstos.

Ambos os países identificam como áreas prioritárias de cooperação a educação, a saúde, o desporto, as infraestruturas, a habitação e a logística, mas “tudo isso só pode ser implementado com energia suficiente e com água”, acrescentou.

“Como dizemos na Namíbia, água é vida e por isso se os nossos dois países puderem tomar passos importantes nesses dois setores importantes, definitivamente seremos capazes de servir melhor os nossos povos, seremos capazes de dar o nosso contributo para a realização da Agenda 2063 da União Africana”, disse.

Sobre os oito instrumentos jurídicos de cooperação hoje assinados em Luanda, Netumbo Nandi-Ndaitwah referiu que assinalam o sucesso da sessão inaugural da Comissão Binacional Angola-Namíbia, que, além da agenda de desenvolvimento dos dois países, olha também para a Agenda da União Africana 2063, o roteiro para o desenvolvimento do continente africano. 

Por sua vez, o Presidente de Angola disse que pretende, na cooperação económica entre os dois países, privilegiar algumas áreas, com destaque para os setores da energia e águas, “sobretudo com a possibilidade de ligação da rede energética de Angola à rede da África Austral”.

João Lourenço frisou que o objectivo é partilhar a infra-estrutura energética de produção angolana com a Namíbia, África do Sul, Botsuana, Zimbabué e quem queira juntar-se a esse esforço.

“No continente, temos lutado bastante pela integração de infra-estruturas – cada país não tem que fazer tudo. Se alguém tem capacidade de vender produtos e serviço aos países vizinhos deve fazê-lo no quadro da integração. É nesse quadro que se encaixa perfeitamente essa nossa intenção de partilharmos energia produzida em Angola com os países irmãos da África Austral”, referiu.

Relativamente à água, Angola está a viver uma experiência de construção de barragens para servir as populações, a agricultura e o gado, no sul de Angola, mais concretamente nas províncias da Huíla, Cunene e Namibe, regiões com as mesmas características do norte da Namíbia, que o país lusófono está aberto a partilhar, referiu João Lourenço.



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