O economista José Lumbo, afirmou que o ataque cibernético que afectou a rede da Unitel e deixou milhões de clientes com constrangimentos nos serviços de voz, internet e dados móveis, voltou a colocar em evidência a necessidade de reforçar a concorrência no mercado angolano das telecomunicações.
Para o economista, a situação demonstra que a elevada dependência de uma única operadora pode amplificar os impactos económicos e sociais quando ocorrem falhas de grande dimensão.
Mais de 21 milhões de clientes continuam a sentir os efeitos da interrupção dos serviços, que condiciona a comunicação entre cidadãos, empresas e instituições, além de afectar operações bancárias, pagamentos electrónicos, comércio digital e diversas actividades que dependem da conectividade.
Na análise do economista, o actual contexto deve servir de reflexão para acelerar o fortalecimento do mercado, através da criação de condições para uma maior concorrência entre operadores. Segundo José Lumbo, um sector mais competitivo permitirá aos consumidores dispor de alternativas sempre que uma operadora enfrente problemas técnicos ou incidentes de segurança.
O especialista defende que a presença de mais empresas no mercado contribuirá igualmente para estimular investimentos em inovação, qualidade dos serviços e resiliência das infra-estruturas tecnológicas, reduzindo o risco de paralisações com impacto nacional.
José Lumbo considera ainda que, numa economia cada vez mais digital, as telecomunicações deixaram de ser apenas um serviço de comunicação para se tornarem uma infra-estrutura estratégica para o funcionamento do sistema financeiro, do comércio, da administração pública e de vários sectores produtivos.
O economista sublinha que o episódio vivido pela Unitel deve servir de alerta para reforçar os investimentos em cibersegurança, sistemas de redundância e planos de continuidade operacional, de forma a garantir maior capacidade de resposta perante ataques informáticos ou falhas técnicas.
Actualmente, o mercado angolano das telecomunicações móveis conta com a Unitel, Movicel e Africell, sendo a Unitel a operadora com maior base de clientes e cobertura nacional.