Julius Malema apela ao voto massivo para afastar o ANC do poder na África do Sul – Correio da Kianda

O líder do partido sul-africano Combatentes da Liberdade Económica (EFF), Julius Malema, apelou aos cidadãos para comparecerem em massa às urnas no próximo dia 4 de Novembro, com o objectivo de retirar o Congresso Nacional Africano (ANC) do poder nas eleições autárquicas.

Durante o lançamento do manifesto do seu partido na província do Noroeste, Julius Malema instou os eleitores a utilizarem os seus documentos de identidade como instrumentos de transformação política. Numa analogia histórica, o líder partidário comparou os cartões de eleitor à lança do rei Shaka Zulu, incitando a população a votar independentemente das condições meteorológicas que se registem no dia da votação.

O apelo da oposição surge num contexto de enfraquecimento eleitoral do ANC, que tem registado uma perda contínua de apoio popular. O partido governamental obteve menos de 50% dos votos nas eleições autárquicas de 2016 e 2021, tendo igualmente perdido a maioria absoluta nacional nas eleições gerais de 2024. Actualmente, a governação de várias províncias e áreas metropolitanas é assegurada através de coligações lideradas pelo próprio ANC.

Críticas à gestão pública e escândalo Phala Phala

No seu discurso, Malema direccionou duras críticas ao actual governo, apontando o dedo à corrupção e questionando a crise financeira que afecta as famílias sul-africanas. O político destacou o polémico caso da fazenda Phala Phala, que envolve o Presidente Cyril Ramaphosa no desvio de capitais não declarados, como um exemplo das irregularidades cometidas pela elite política do país.

O caso Phala Phala remonta a um assalto ocorrido em 2020 na propriedade privada do chefe de Estado, na província de Limpopo, onde foram roubadas elevadas quantias de divisas estrangeiras. O incidente gerou forte contestação sobre a origem e a legalidade do dinheiro guardado, embora Ramaphosa assegure que os valores resultaram da venda legal de animais de caça.

Processo de destituição em curso

Em consequência deste escândalo, a Comissão de Impeachment da Secção 89 do Parlamento sul-africano prossegue com as investigações para apurar se a conduta do Presidente Ramaphosa configura uma ofensa passível de destituição. Os trabalhos da comissão parlamentar estendem-se até ao ano de 2026, ignorando os recursos judiciais apresentados pela defesa presidencial para travar o processo.

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