A França juntou-se aos apelos por esclarecimentos sobre a descoberta de uma vala comum na prefeitura de Forécariah, no sudoeste da Guiné, onde foram encontrados os corpos de seis homens com as mãos amarradas e os olhos vendados.
Os corpos foram descobertos na segunda-feira por um grupo de jovens que recolhia lenha numa zona florestal. A descoberta levou organizações da sociedade civil e entidades de defesa dos direitos humanos a exigirem uma investigação transparente e independente para determinar a identidade das vítimas e as circunstâncias das mortes.
As autoridades locais e o Ministério Público já estiveram no local e abriram uma investigação oficial. O processo deverá permitir esclarecer quando e como ocorreram as mortes, bem como identificar os eventuais responsáveis.
A França apelou a que as autoridades guineenses assegurem uma investigação independente e transparente, juntando-se à pressão de organizações da sociedade civil que procuram garantir o esclarecimento do caso.
Entre as entidades que foram chamadas a acompanhar o processo estão o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch.
O movimento cidadão “Vire a Página – Guiné” considerou que o facto de os corpos terem sido encontrados numa área isolada e sem identificação levanta “sérias questões” e defendeu que o caso seja investigado de forma adequada.
A organização recordou relatos de alegadas execuções extrajudiciais de civis e agentes do Estado desde a tomada do poder pelos militares, em Setembro de 2021, sob liderança do coronel Mamady Doumbouya.
A descoberta da vala comum ocorre ainda numa região onde, no ano passado, foi localizada uma outra estrutura semelhante. Até ao momento, as investigações desse caso não determinaram a identidade das vítimas nem as causas das mortes.
O episódio surge num contexto de fortes restrições políticas na Guiné. Nos últimos anos, vários partidos foram suspensos, manifestações proibidas em 2022 foram reprimidas e vários dirigentes da oposição e da sociedade civil foram presos, condenados ou obrigados a exilar-se.
A nova descoberta aumenta a pressão sobre as autoridades guineenses para esclarecerem as circunstâncias das mortes e garantirem que a investigação decorra com independência, transparência e respeito pelos direitos humanos.