O Exército sudanês recebeu 318 combatentes das Forças de Apoio Rápido (RSF) que desertaram do grupo paramilitar e decidiram integrar as forças armadas do país, segundo informações divulgadas pelas autoridades sudanesas.
Entre os desertores estão quatro comandantes, que chegaram à localidade de Al-Dabba, no Estado do Norte, acompanhados por até 50 veículos de combate.
O tenente-coronel Musa Ali Ahmed, identificado como líder do grupo, justificou a deserção com a alegada ausência de estruturas institucionais dentro das RSF. Segundo o oficial, a decisão de aderir ao Exército visa contribuir para a preservação da unidade do Sudão.
A chegada dos 318 combatentes acontece uma semana depois de outro grupo de cerca de 300 membros das RSF, incluindo 21 comandantes, ter igualmente abandonado as forças paramilitares para se juntar ao Exército.
A sucessão de deserções representa um novo desafio para as Forças de Apoio Rápido, que enfrentam perdas de efectivos e de figuras de liderança militar e política.
Entre os elementos que terão deixado recentemente a organização estão o conselheiro político Fares al-Nour, o comandante de campo Ali Rizqallah e o major-general Al-Nour Ahmed Adam.
Para o Exército sudanês, a integração dos novos combatentes poderá representar um reforço de efectivos e de meios, sobretudo com a incorporação dos veículos de combate que acompanharam o grupo.
O movimento ocorre num momento em que o Exército, comandado pelo general Abdel Fattah al-Burhan, procura consolidar a sua posição no conflito contra as RSF, lideradas por Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemedti.
A guerra entre o Exército e as Forças de Apoio Rápido começou em Abril de 2023, na sequência de uma disputa pelo poder entre Abdel Fattah al-Burhan e Hemedti.
Mais de três anos depois, os combates continuam em várias regiões do país, incluindo Darfur, Nilo Azul e os estados de Kordofan do Norte, Ocidental e do Sul.
O conflito provocou uma das maiores crises humanitárias e de deslocamento do mundo, deixando dezenas de milhares de mortos e milhões de pessoas deslocadas.
A nova vaga de deserções poderá, por um lado, reforçar as capacidades do Exército sudanês e, por outro, aumentar a pressão sobre as RSF, numa altura em que a guerra continua sem uma solução política duradoura.