Ex-líder estudantil quer movimento académico mais activo contra corrupção e assédio – Correio da Kianda

O antigo dirigente estudantil Rafael Aguiar defende o reforço do papel das associações de estudantes no combate à corrupção, ao assédio e a outras práticas que comprometem a ética e a qualidade do ensino superior em Angola.

Em entrevista esta tarde à Rádio Correio da Kianda, Rafael Aguiar lamentou o que considera ser o enfraquecimento do movimento estudantil e a perda da sua capacidade de fiscalização dentro das instituições de ensino superior.

O antigo líder associativo recordou a experiência vivida na Universidade Agostinho Neto, onde, segundo afirmou, as organizações estudantis desempenharam um papel activo na identificação de problemas e na defesa dos interesses dos estudantes.

Entre as iniciativas desenvolvidas na altura, apontou programas destinados a identificar professores envolvidos em alegados actos de corrupção e situações de assédio a estudantes.

“ Tínhamos programas de identificar professores corruptos, professores que chantageavam as estudantes. Hoje já não é isso”, afirmou.

Rafael Aguiar explicou que os casos identificados eram inicialmente abordados com os próprios docentes e, posteriormente, encaminhados para o Decanato, através de dossiers preparados pelo movimento estudantil.

“Primeiro íamos com esses professores. Depois levávamos esses dossiês ao Decanato”, recordou.

Para o antigo dirigente, esta intervenção contribuía para responsabilizar os envolvidos e pressionar as instituições a melhorar os mecanismos internos de fiscalização.

Rafael Aguiar considera, por isso, que as associações de estudantes devem recuperar uma postura mais interventiva, não apenas na reivindicação de melhores condições académicas, mas também na defesa da ética, transparência e qualidade do ensino.

O ex-líder estudantil entende ainda que a actual realidade representa um retrocesso face ao período em que liderou o movimento associativo na Universidade Agostinho Neto, quando, segundo disse, a participação estudantil ajudou a aproximar a universidade da sociedade.

Na sua avaliação, a pressão exercida pelos estudantes contribuiu igualmente para obrigar as autoridades a activar mecanismos de fiscalização e de melhoria da qualidade do ensino.

O debate sobre o papel das associações de estudantes ganha assim novo espaço no ensino superior angolano, sobretudo quanto à capacidade dessas organizações de denunciar irregularidades, proteger os estudantes e exigir maior responsabilização das instituições.

As declarações de Rafael Aguiar são também coerentes com posições públicas que o antigo dirigente já assumiu sobre a necessidade de combater a corrupção e defender valores éticos e democráticos em Angola.

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