A aproximação entre o sistema de ensino, as empresas e as políticas públicas de emprego é apontada como uma das soluções para facilitar a entrada dos jovens angolanos no mercado de trabalho formal.
A questão foi levantada pelo académico Marcolino Chiungue e pelo economista José Lumbo, durante o programa Capital Central, da Rádio Correio da Kianda, que debateu os desafios do primeiro emprego e da informalidade.
Para Marcolino Chiungue, um dos problemas está no facto de a formação académica nem sempre acompanhar as necessidades reais das empresas. O especialista defende, por isso, uma maior aproximação entre as instituições de ensino e o sector empresarial, permitindo que os estudantes desenvolvam competências procuradas pelo mercado.
O académico chamou também atenção para os processos de recrutamento, defendendo que as empresas devem olhar mais para aquilo que os candidatos sabem fazer e menos apenas para os diplomas que possuem.
“Os candidatos devem ser avaliados pelas suas competências e não apenas pelos diplomas”, afirmou Marcolino Chiungue.
Na sua perspectiva, está em causa não apenas a qualidade da formação, mas também a capacidade de fazer a transição entre escola e emprego. Estágios, formação prática e maior contacto dos estudantes com as empresas podem ajudar a reduzir essa distância.
Já o economista José Lumbo considera que a questão não pode ser resolvida apenas pelo sistema de ensino. Para o especialista, é igualmente necessário que o Estado tenha políticas económicas capazes de estimular a actividade empresarial, criar empregos e facilitar a formalização da economia.
Lumbo questionou a actual estrutura de execução das políticas económicas e defendeu maior capacidade de articulação entre as diferentes áreas do Governo.
“Falta uma estrutura capaz de executar e articular as políticas económicas”, declarou.
Os especialistas entendem, assim, que o combate ao desemprego juvenil exige uma abordagem conjunta: as escolas devem formar para as necessidades do mercado, as empresas devem valorizar competências e criar oportunidades para os jovens, enquanto o Estado deve criar condições económicas para aumentar a oferta de emprego formal.
A aposta numa maior ligação entre estes três sectores poderá, segundo os especialistas, ajudar a reduzir a distância entre formação e emprego, melhorar a empregabilidade dos jovens e diminuir a dependência da economia informal.