Economia russa cresce 10% em três anos com forte aposta no mercado interno – Correio da Kianda

A economia da Rússia registou um crescimento acumulado de 10% no Produto Interno Bruto (PIB) ao longo dos últimos três anos, correspondendo a uma média anual de 3,3%, um valor que supera a média de crescimento global. A revelação foi feita pelo vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, durante uma reunião do Conselho para o Desenvolvimento Estratégico e Projectos Nacionais, onde se destacou a resiliência do país face às pressões externas e a transição para um modelo de desenvolvimento assente no mercado interno.

De acordo com o governante russo, o plano de transformação estrutural em curso visa garantir a sustentabilidade económica da Rússia a longo prazo. Este plano abrange reformas profundas em áreas estratégicas como o investimento, o mercado de trabalho, o consumo, o desenvolvimento tecnológico e o comércio externo. Alexander Novak sublinhou que o país se consolidou como a quarta maior economia do mundo em termos de paridade do poder de compra, reflectindo uma mudança estrutural onde a dependência das exportações diminuiu significativamente, com a quota das exportações líquidas a registar uma redução de quase três vezes nos últimos cinco anos.

Outro ponto de destaque na estratégia do governo russo é o fomento do investimento através de fontes internas, em substituição do financiamento externo tradicional. O vice-primeiro-ministro explicou que a quota de activos intelectuais na estrutura de investimento subiu para 7%, ao passo que o investimento público reduziu para 15,4%. Para além disso, o executivo está a criar condições para atrair poupanças individuais para o mercado de acções, promovendo o financiamento por capital próprio como alternativa aos empréstimos bancários de elevado custo, tendo já submetido ao parlamento uma proposta de lei sobre parcerias de investimento.

Por sua vez, o ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, anunciou um pacote de medidas de apoio fiscal direcionado para as regiões fronteiriças que enfrentam despesas adicionais devido à actual conjuntura. O Ministério das Finanças propõe adiar o reembolso de um terço dos empréstimos orçamentais destas regiões, previstos para o período de 2027 a 2029, para os anos de 2031 a 2033. Esta moratória deverá libertar cerca de 300 mil milhões de rublos (equivalente a 3,54 mil milhões de dólares norte-americanos) nos orçamentos regionais ao longo de três anos, verba que será canalizada para o desenvolvimento social e económico local.

Anton Siluanov avançou ainda que a implementação dos programas de recuperação fiscal regional terá um impacto orçamental superior a 800 mil milhões de rublos (cerca de 9,43 mil milhões de dólares) em 2027. O ministro informou que as receitas dos orçamentos regionais cresceram 6% desde o início de 2026, atingindo mais de 15 biliões de rublos (176,78 mil milhões de dólares), impulsionadas pelo aumento da arrecadação de impostos sobre o rendimento singular e sobre os lucros das empresas. Adicionalmente, verificou-se uma redução da dívida de mercado das regiões em 60 mil milhões de rublos, com 43 regiões a apresentarem dívida zero.

Esta reestruturação económica e financeira reflete o esforço de Moscovo em adaptar-se às sanções internacionais, priorizando a autossuficiência e o fortalecimento das finanças regionais para garantir a estabilidade social e o crescimento sustentável nos próximos anos. De acordo com informações avançadas pela agência de notícias TASS, estas medidas visam consolidar a soberania económica do país num cenário global em constante mutação.

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