Críticas e comparações constantes no seio familiar podem afectar a forma como os jovens se vêem e comprometer a sua autoestima, alertou a psicóloga e analista de perfil comportamental Teresa Jerónimo.
A especialista falava durante o programa “Ligação Jovem”, da Rádio Correio da Kianda, que debateu o tema “A juventude e a falta de autoestima e aceitação”, num painel que contou também com a estudante Dionísia Ngolambole e a professora Marinella Ngolambole.
Durante o debate, as participantes explicaram que a autoestima está relacionada com a percepção que cada pessoa tem de si própria e com o valor que atribui a si mesma, enquanto a aceitação passa pela capacidade de reconhecer e aceitar as próprias características.
Segundo as jovens, a construção da autoestima começa no seio familiar, uma vez que é nesse ambiente que a criança desenvolve as primeiras percepções sobre si mesma.
Teresa Jerónimo considera que críticas constantes, comparações, comentários depreciativos e a desvalorização das capacidades e dos sonhos dos jovens podem deixar marcas emocionais e influenciar a forma como estes se relacionam consigo próprios e com os outros.
A psicóloga entende que alguns destes comportamentos resultam de padrões familiares transmitidos entre gerações. Muitos pais, explicou, foram educados com os mesmos métodos e reproduzem-nos sem perceberem os possíveis efeitos sobre a saúde emocional dos filhos.
“Os nossos pais cresceram a ouvir essas insinuações dos seus antepassados e estão a fazer com que os mais novos paguem por essa forma de tratamento”, afirmou Teresa Jerónimo, defendendo maior conhecimento sobre saúde emocional e desenvolvimento da autoestima.
A especialista considera que aquilo que algumas famílias entendem como uma forma de educar ou preparar os filhos para enfrentar as dificuldades da sociedade pode, em determinados casos, produzir o efeito contrário e fragilizar a confiança dos jovens.
As participantes no programa relataram ainda experiências pessoais de estigmatização no ambiente familiar e explicaram que tiveram de recorrer ao autoconhecimento e à autoanálise para evitar que essas experiências afectassem a sua motivação.
Para as jovens, o desenvolvimento da autoestima deve estar associado ao autoconhecimento, uma vez que conhecer as próprias capacidades, limitações e características ajuda o indivíduo a construir uma percepção mais equilibrada sobre si mesmo.
No programa, as participantes apelaram às famílias para que tenham maior cuidado na forma como corrigem os erros dos mais novos, defendendo que a disciplina deve ajudar o jovem a melhorar os seus comportamentos sem transmitir sentimentos de inutilidade, fracasso ou falta de valor.