ANGOLANOS SÃO OS DO MPLA, OS OUTROS SÃO RALÉ…

Pelo menos 31 pessoas ficaram feridas, dez com gravidade, na sequência da intervenção da Polícia dita Nacional mas que mais não é do que sipaios fardados e armados do MPLA, junto à sede da UNITA no Uíge, no sábado, revelou hoje o secretário-geral da JURA, organização juvenil do partido, Nelito Ekuikui.

Os incidentes ocorreram quando a Polícia Nacional (do MPLA) cercou a sede provincial do partido, para impedir um acto político no âmbito da IV Reunião Ordinária do Comité Nacional da JURA, para assinalar o 92.º aniversário do fundador da UNITA, Jonas Savimbi.

O secretário-geral da JURA, o braço juvenil da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), afirmou que os feridos com gravidade continuam internados, enquanto os que sofreram ferimentos ligeiros tiveram alta ao longo da noite de sábado.

Segundo Nelito Ekuikui, entre os feridos há uma mulher com ferimentos profundos no rosto na sequência de uma queda, mas também casos provocados por disparos, tendo o dirigente da UNITA referido o uso de munições “de caçadeira”.

O responsável relatou que os militantes se encontravam em frente ao secretariado provincial da UNITA quando a polícia começou a disparar gás lacrimogéneo, obrigando-os a refugiar-se no interior da sede.

Descreveu ainda que as forças policiais criaram “várias barreiras” e interditaram os acessos, tendo desmobilizado por volta das 21:00 de sábado.

O dirigente adiantou que a direção da UNITA está a regressar a Luanda e que, durante o dia de sábado, o governador provincial do Uíge e o comandante provincial da polícia permaneceram incontactáveis.

Nelito Ekuikui referiu que, hoje de manhã, o Comando Provincial da polícia enviou uma escolta para acompanhar a caravana da direcção da UNITA, mas que o partido a dispensou por considerá-la desnecessária.

O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, acusou as autoridades locais de criarem um “estado de guerra” no Uíge e adiou o acto central, criticando a intolerância política.

A Polícia Nacional do MPLA justificou a intervenção com a tentativa da UNITA de realizar uma actividade partidária em “local impróprio”, junto ao tribunal da comarca, considerando também reprovável o fecho de ruas para actos políticos.

“Um dos partidos políticos queria realizar o acto defronte aos órgãos de soberania (…). Automaticamente, acionaram-se as forças para que se impedisse a realização desse acto nesse local”, afirmou à Televisão Pública do MPLA o chefe do departamento de comunicação institucional da polícia no Uíge, superintendente-chefe Luís Freitas Jamba.

O Bloco Democrático e o PRA JÁ Servir Angola, antigos parceiros da UNITA na Frente Patriótica Unida (FPU), repudiaram a actuação policial, exigindo esclarecimentos e a responsabilização dos autores.

Angola aproxima-se de um novo ciclo eleitoral, antecedido, em Dezembro, pelo congresso que vai supostamente eleger o novo presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder há 50 anos, e tem eleições gerais previstas para 2027. O escrutínio de 2022 foi ganho pelo MPLA, com cerca de 51% dos votos, num resultado contestado pela UNITA, que obteve o melhor resultado de sempre.

Na sequência dos acontecimentos, o governador do Uíge, José Carvalho da Rocha, reuniu-se com Adalberto Costa Júnior para analisar os episódios de intolerância política registados em algumas localidades da província.

De acordo com as informações divulgadas após o encontro, as partes abordaram a necessidade de prevenir novos episódios de violência política e de promover um ambiente de convivência democrática entre os diferentes actores políticos.

À saída da reunião, o presidente da UNITA apelou ao governador para que, em futuras actividades políticas e partidárias, sejam evitados actos de violência, exclusão ou intolerância entre cidadãos.

Adalberto Costa Júnior defendeu igualmente uma maior intervenção das instituições do Estado na prevenção de conflitos, sublinhando a importância de garantir que os cidadãos possam exercer os seus direitos políticos em liberdade e sem receio.

Por sua vez, José Carvalho da Rocha considerou positivo o encontro e destacou o diálogo institucional como instrumento para ultrapassar divergências.

“Tivemos uma boa reunião com o engenheiro Adalberto Costa Júnior e a sua delegação, e tudo se resolveu. É assim que se constrói essa nossa Angola que está acima de todos”, afirmou o governador.

É assim? Primeiro porrada neles e depois diálogo. Primeiro são bandoleiros, insurrectos, arruaceiros, lúmpenes e depois chega  o “diálogo institucional como instrumento para ultrapassar divergência”

Os acontecimentos registados no Uíge voltaram a colocar no centro do debate a questão da intolerância política em Angola, bem como a necessidade de garantir que as actividades partidárias decorram num ambiente de respeito pelos direitos fundamentais.

A divulgação dos confrontos por um órgão de comunicação internacional (a CNN) acrescenta ainda uma dimensão externa ao debate, colocando novamente sob escrutínio a situação da débil democracia e dos não menos débeis direitos políticos em Angola, um país que mais parece um reino, ou uma coutada, que é propriedade exclusiva do MPLA.



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