AIA defende apoio às famílias camponesas para Angola alcançar auto-suficiência em milho – Correio da Kianda

O presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, defendeu que o país só poderá alcançar a auto-suficiência na produção de milho com um forte apoio às famílias camponesas, aliado à resolução dos principais constrangimentos logísticos que afectam o sector agrícola.

A posição surge na sequência da proposta do Executivo que pretende obrigar os operadores económicos licenciados para a importação de milho a adquirirem no mercado interno, no mínimo, 30% da quantidade total que pretendam importar. A medida foi analisada esta quinta-feira, 20, durante a 3.ª Reunião Ordinária da Comissão Económica do Conselho de Ministros, orientada pelo Presidente da República, João Lourenço.

Em declarações à Rádio Correio da Kianda, José Severino considerou legítima a preocupação do Governo em estimular a produção nacional, mas advertiu que a medida apenas produzirá resultados concretos se houver oferta suficiente de milho e condições adequadas para o seu escoamento.

Segundo o responsável, o milho é um produto estratégico para a economia nacional, não apenas para a alimentação humana, mas também para a indústria de rações animais. José Severino explicou que do processo de moagem do milho resulta o farelo, matéria-prima essencial para a produção de alimentos destinados à pecuária.

Para o presidente da AIA, Angola possui condições para atingir elevados níveis de auto-suficiência na produção de milho. Contudo, considera que esse objectivo continua distante devido às fragilidades existentes ao longo da cadeia produtiva, desde a produção até à comercialização.

José Severino alertou ainda para os desafios associados à mecanização agrícola, defendendo que o processo não pode ser encarado como uma solução isolada. Na sua visão, a mecanização exige uma rede de assistência técnica funcional, disponibilidade de combustíveis, mão-de-obra qualificada e infra-estruturas de apoio capazes de garantir a sustentabilidade dos investimentos realizados.

Neste contexto, o líder associativo defende que o ponto de partida deve ser o reforço do apoio às famílias camponesas, que representam uma parte significativa da produção agrícola nacional e dominam técnicas tradicionais de cultivo adaptadas às realidades locais.

A proposta do Executivo enquadra-se na estratégia de incentivo à produção nacional e visa assegurar mercado para o milho produzido no país, estimular a agricultura familiar e empresarial e reduzir gradualmente a dependência das importações deste cereal considerado essencial para a segurança alimentar e para o desenvolvimento da indústria agropecuária.

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