Os taxistas defendem maior valorização da actividade que exercem, apontando o serviço de táxi como um dos principais suportes da mobilidade e da actividade económica em Angola, sobretudo num contexto marcado pela insuficiência de transportes públicos.
A posição é defendida pelo presidente do Movimento Nacional dos Taxistas de Angola (BASTA), Rafael Inácio, para quem a importância económica e social da classe ainda não corresponde ao reconhecimento que os profissionais consideram merecer.
O responsável lamenta as condições sociais enfrentadas pelos taxistas e defende a profissionalização urgente da actividade, como primeiro passo para garantir maior dignidade à classe e melhorar a qualidade do serviço prestado à população.
“O Governo angolano continua a não dar ouvido às nossas preocupações, mas o serviço de táxi é o motor da economia e tem contribuído para o desenvolvimento socioeconómico do país, através da mobilidade”, afirmou Rafael Inácio.
A declaração foi feita recentemente, durante o lançamento oficial da organização que dirige, ocasião em que voltou a colocar em debate o papel dos taxistas na economia nacional.
Para o dirigente, diariamente, milhares de cidadãos dependem dos táxis para chegar aos locais de trabalho, escolas, mercados, hospitais e outros pontos das cidades, tornando a actividade essencial para o funcionamento da economia.
A relevância do sector torna-se ainda mais evidente perante a escassez de transportes públicos, que obriga uma parte significativa da população a recorrer aos táxis para assegurar as deslocações.
Apesar desse peso na mobilidade urbana, Rafael Inácio considera que a classe continua a enfrentar dificuldades sociais e profissionais que limitam a sua dignificação.
Entre os desafios está precisamente a falta de uma maior organização e profissionalização da actividade, que, na perspectiva do movimento, permitiria estabelecer padrões mais claros para o exercício da profissão, melhorar as condições dos trabalhadores e elevar a qualidade do serviço.
A reivindicação dos taxistas reacende, assim, a discussão sobre a importância económica de um sector que, para além de transportar passageiros, assegura a circulação diária de trabalhadores, consumidores e pequenos comerciantes.
Para o BASTA, reconhecer esse contributo deve passar por políticas públicas capazes de responder às preocupações da classe e criar condições para a sua profissionalização.
A organização defende que a dignificação dos taxistas não deve ser vista apenas como uma reivindicação laboral, mas como parte de uma estratégia mais ampla para melhorar a mobilidade e o funcionamento da economia nacional.
Num país onde o transporte público ainda não consegue responder integralmente à procura, os táxis acabam por preencher uma lacuna essencial. E é precisamente esse papel que a classe quer ver reconhecido, com melhores condições de trabalho, maior organização e uma actividade devidamente profissionalizada.