O Governo francês rejeitou as acusações das autoridades do Níger de que teria estado envolvido na tentativa de motim militar registada em 29 de Agosto, em Niamey, classificando as alegações como “pura fantasia”.
A posição foi expressa este sábado, 05, pelo ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, em resposta às declarações do Governo nigerino, que acusa Paris de ter apoiado a acção levada a cabo por militares dissidentes.
“Nunca houve qualquer intenção, nem meios para que a França se mobilizasse”, declarou à Rádio França Internacional (RFI).
Num comunicado divulgado na sexta-feira pela televisão estatal, o porta-voz do Governo do Níger, Soumana Boubacar, afirmou que a tentativa de motim foi organizada por uma rede apoiada pela França. Segundo o responsável, elementos militares envolvidos teriam agido para concretizar interesses franceses no país.
O motim teve início na Base Aérea 101, localizada no aeroporto internacional de Niamey, e estendeu-se a outros pontos da capital, incluindo a zona do palácio presidencial. As forças governamentais anunciaram posteriormente que recuperaram o controlo da situação.
Desde então, as autoridades nigerinas ampliaram as acusações, sugerindo o envolvimento de países africanos não identificados no alegado complô. Em reacção, o Benim já rejeitou qualquer participação nos acontecimentos.
As relações entre o Níger e a França permanecem tensas desde o golpe de Estado de 2023, que levou o general Abdourahamane Tchiani ao poder e marcou o afastamento de Niamey dos seus antigos parceiros ocidentais, com uma aproximação crescente à Rússia.