A disputa interna na FNLA voltou a intensificar-se, desta vez em torno da preparação do VI Congresso Ordinário do partido, previsto para a segunda quinzena de Setembro.
A direcção liderada por Nimi-a-Simbi e um grupo de membros do Comité Central que integra uma comissão preparatória alternativa mantêm posições divergentes sobre a legitimidade do processo de organização do congresso.
O novo episódio de tensão ocorreu esta terça-feira, 1, quando membros do Comité Central tentaram entregar, no gabinete de Nimi-a-Simbi, uma pasta contendo documentos relacionados com o trabalho desenvolvido pela comissão na preparação do conclave.
Segundo Augusto Sumbula, o grupo foi impedido de entrar no gabinete do presidente da FNLA para entregar a documentação. O político afirmou que esta é a segunda vez que a direcção do partido se recusa a receber os documentos.
“O que estamos a ver aqui é que não nos querem receber, porque viemos entregar o processo concluído da preparação do nosso congresso. O processo já está no Tribunal Constitucional, mas eles aqui não querem receber”, afirmou.
Augusto Sumbula revelou que os documentos referentes ao processo de preparação do congresso já foram entregues ao Tribunal Constitucional, ao mesmo tempo que questionou a resistência da direcção de Nimi-a-Simbi em reconhecer a legitimidade da comissão constituída por membros do Comité Central.
Para o político, a posição assumida pela actual presidência da FNLA demonstra falta de interesse em cumprir os estatutos do partido e em ultrapassar o ambiente de tensão que se arrasta há vários anos.
A direcção da FNLA, entretanto, contesta a legitimidade da comissão. Em reacção ao Correio da Kianda, uma fonte da direcção, que preferiu não gravar entrevista, desvalorizou os actos praticados pelo grupo, alegando que foram realizados à margem dos estatutos do partido.
Segundo a mesma fonte, existe apenas uma comissão preparatória legítima para o VI Congresso Ordinário, criada pelo presidente Nimi-a-Simbi e coordenada por João Roberto Soki.
O impasse entre as duas estruturas mantém, assim, a FNLA mergulhada numa nova disputa interna às vésperas do congresso, com cada uma das partes a reivindicar legitimidade sobre o processo preparatório.