Comité de Estabilidade Financeira mantém reservas de capital e destaca resiliência do sector bancário – Correio da Kianda

O Comité de Estabilidade Financeira (CEF) decidiu manter inalteradas as principais medidas de política macroprudencial em vigor no país, após avaliar a evolução dos riscos e vulnerabilidades do Sistema Financeiro Nacional. Na sua mais recente reunião, o órgão deliberou a manutenção da Reserva de Conservação de Capital em 2,50% e da Reserva Contracíclica de Capital em 0%, medidas aplicáveis a todas as instituições financeiras bancárias que operam no mercado angolano. Adicionalmente, a Reserva para Bancos de Importância Sistémica Doméstica (D-SIBs) permanece fixada entre 1% e 2% para as instituições elegíveis até ao final do ano.

Aprovação do Plano de Acção do BNA e Avaliação do Sector

Durante o encontro, os membros do comité aprovaram o Plano de Acção do Banco Nacional de Angola para a implementação das recomendações do Programa de Avaliação do Sector Financeiro (FSAP 2025), bem como o respectivo Modelo de Acompanhamento. A análise de conjuntura realizada pelo CEF indica que o Sistema Financeiro Nacional demonstrou uma assinalável resiliência ao longo do segundo trimestre do ano, sustentada por níveis robustos e adequados de capital, liquidez e rentabilidade no sector bancário. Este desempenho positivo reflecte a eficácia das políticas de supervisão em curso.

Outro aspecto de relevo apontado pelo comité foi a continuidade do crescimento do crédito à economia real. Verificou-se que diversas instituições financeiras bancárias optaram por priorizar a concessão de financiamento directo em detrimento de aplicações financeiras em títulos e valores mobiliários. Esta dinâmica foi impulsionada por uma melhoria gradual do ambiente macroeconómico geral, caracterizado pelo crescimento económico sustentado, estabilidade cambial, consolidação fiscal e uma trajectória descendente da taxa de inflação nacional.

Vulnerabilidades e Desafios no Horizonte Financeiro

Apesar dos indicadores favoráveis, o Comité de Estabilidade Financeira alertou para a existência de vulnerabilidades internas que exigem um acompanhamento rigoroso e contínuo por parte dos reguladores. Entre as principais preocupações destacam-se o volume de crédito em incumprimento, a exposição crescente aos riscos cibernéticos e o elevado nível de concentração da actividade no sector bancário. Estas condicionantes exigem das instituições financeiras uma postura de permanente vigilância e adopção de boas práticas de gestão de risco.

No plano internacional, o cenário macroeconómico continua marcado por fortes incertezas derivadas de tensões geopolíticas globais e da volatilidade das condições financeiras mundiais. Perante este quadro de potenciais choques externos, o CEF reforçou a necessidade de os bancos comerciais adoptarem políticas de gestão extremamente prudentes. A manutenção da actual orientação macroprudencial visa precisamente salvaguardar a solidez do sistema e garantir que as instituições mantenham capacidade de absorção de choques em benefício do desenvolvimento económico de Angola.

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