O Serviço de Investigação Criminal (SIC) esclareceu esta quinta-feira, 20, o caso da agressão a um docente universitário, registada em vídeo e amplamente divulgada nas redes sociais, e negou que os cidadãos detidos no âmbito do processo sejam efectivos do órgão ou de qualquer outro órgão de defesa e segurança.
O episódio ocorreu no final de Julho, numa hospedaria localizada no município de Talatona, em Luanda. Nas imagens que circularam nas redes sociais aparecem cidadãos a espancarem o docente no interior de um quarto, num vídeo que rapidamente se tornou viral.
A vítima, identificada como Nkikinamo Tussamba, de 39 anos, é docente de uma das cadeiras do curso de Comunicação Social da Universidade Privada de Angola (UPRA) e comentador da TV Zimbo.
Segundo o SIC, a ocorrência deu-se na hospedaria RPS-Residence, nas imediações da Academia BAI, no Morro Bento, depois de o docente se ter deslocado ao local na companhia de uma cidadã identificada como Janice.
As diligências realizadas apontam que familiares da jovem terão preparado uma emboscada ao docente, alegadamente por entenderem que este estaria relacionado com um suposto insucesso académico da estudante.
Já no interior do quarto, o professor terá sido surpreendido e submetido a agressões físicas. A situação foi filmada e as imagens posteriormente partilhadas nas redes sociais.
No âmbito da investigação, o SIC deteve Ebenezer Gerson de Carvalho Borges, conhecido por “Borges”, de 29 anos, e Inocêncio Domingos Simão de Almeida, de 22 anos, ambos irmãos de Janice, de 20 anos.
Um terceiro suspeito, identificado apenas como Ariclenes, encontra-se em fuga e é procurado pelas autoridades.
O SIC esclarece que os cidadãos envolvidos no caso são civis e não efectivos do Serviço de Investigação Criminal, nem de qualquer outro órgão de defesa e segurança, contrariando informações que circularam inicialmente nas redes sociais.
Além das ofensas à integridade física, a investigação considera ainda a possível prática dos crimes de sequestro e extorsão, estando as autoridades a prosseguir com as diligências para esclarecer integralmente as circunstâncias do caso e localizar o terceiro suspeito.
O SIC reforça, assim, que a identificação dos envolvidos como supostos agentes de segurança não corresponde aos factos apurados até ao momento.