O sociólogo Agostinho Paulo considera que muitos casos conhecidos em Angola como “fuga à paternidade” estão a ser mal explicados e defende uma distinção mais clara entre a negação da paternidade e a falta de assistência à criança.
Em declarações à Rádio Correio da Kianda, o especialista afirmou que a expressão é usada de forma excessiva para descrever diferentes situações de incumprimento das responsabilidades paternas, o que acaba por dificultar uma compreensão correcta do problema.
Segundo Agostinho Paulo, só se deve falar propriamente em “fuga à paternidade” quando a paternidade de um homem é comprovada cientificamente e, mesmo assim, este nega ser pai da criança.
Nos casos em que o pai reconhece a criança, mas deixa de cumprir as suas responsabilidades, como prestar assistência e garantir o seu sustento, o sociólogo entende que a situação deve ser tratada como falta de assistência à criança, e não necessariamente como fuga à paternidade.
O especialista considera que esta diferença é importante para perceber melhor a realidade das famílias e encontrar respostas adequadas para cada situação.
Agostinho Paulo defende ainda que o combate à violência doméstica e aos problemas familiares não deve passar apenas pela criação de mais leis.
“Nós não precisamos de muitas leis para regularizar o comportamento sobre a violência doméstica. Precisamos de campanhas de sensibilização e de assistência humanizada às famílias vítimas de violência doméstica”, afirmou.
Para o sociólogo, é necessário reforçar as campanhas de sensibilização, apoiar as famílias e trabalhar na prevenção da violência e do abandono, promovendo também uma maior responsabilidade dos pais no acompanhamento e sustento dos filhos.