Quatro cidadãos considerados vulneráveis, incluindo pessoas com perturbações mentais, estão entre as vítimas de uma série de homicídios por decapitação investigados pelo Serviço de Investigação Criminal no município do Luau.
Os crimes vitimaram Rodrigues Tchilhiluca Maurício, de 30 anos, Daniel António Donga “Dalopy”, de 24, Graciano Bango Waite, de 19, e Graça Simão Namaquembe, de 25 anos. Os corpos foram encontrados sem as respectivas cabeças.
Na sequência das investigações, o SIC desmantelou uma alegada rede criminosa suspeita de envolvimento nos homicídios. Segundo o porta-voz da corporação, Manuel Halaiwa, os detidos confessaram os crimes e alegam ter agido por influência de crenças associadas ao feiticismo e por interesses de enriquecimento ilícito.
A investigação não está, entretanto, limitada aos autores materiais. O SIC suspeita da existência de uma estrutura criminosa mais ampla e procura identificar possíveis mandantes, incluindo cidadãos estrangeiros da República Democrática do Congo.
Os suspeitos foram presentes ao Ministério Público e ao Juiz de Garantias, que decretou a prisão preventiva.
As autoridades deverão realizar a reconstituição dos factos e proceder à apresentação pública dos detidos no Luau.
Violência associada a acusações de feitiçaria
O SIC investiga ainda outros episódios de violência no município alegadamente relacionados com crenças supersticiosas.
Dois irmãos, de 44 e 45 anos, foram detidos por suspeita de envolvimento num duplo homicídio. As vítimas, de 49 e 59 anos, terão sido agredidas com paus depois de serem acusadas de feitiçaria, na sequência da morte de um familiar.
No bairro Luanga, outro cidadão, de 24 anos, foi detido por suspeita de envolvimento na morte de um jovem de 23 anos, na sequência de um desentendimento relacionado com a confecção de uma galinha numa residência vizinha.
Os casos estão a ser investigados pelo SIC, que deverá igualmente proceder à reconstituição dos factos.
Perante o quadro de violência, o Serviço de Investigação Criminal apela à população para que não recorra à violência com base em acusações de feitiçaria ou outras crenças supersticiosas.
A corporação reafirma que continuará a investigar os crimes e a responsabilizar criminalmente os seus autores, independentemente das alegadas motivações.