Os tumultos registados sábado, 8, na cidade do Uíge, na sequência de uma actividade da UNITA, estão a gerar críticas à actuação das forças de segurança e, ao mesmo tempo, acusações de aproveitamento político por parte do partido da oposição.
Os analistas do programa Círculo da Kianda, da Rádio Correio da Kianda, consideram que os acontecimentos configuram um episódio de intolerância política, mas apresentam leituras diferentes sobre as responsabilidades. O politólogo Victorino Mbuta condena a actuação das forças de segurança, mas entende que a UNITA está também a aproveitar politicamente a situação, sobretudo ao responsabilizar as autoridades pelo fracasso da actividade.
Já o analista Higino Pinto considera que os principais responsáveis devem ser chamados a responder pelos acontecimentos. Na sua leitura, as imagens disponíveis evidenciam excessos na actuação policial, defendendo, por isso, a responsabilização política e judicial do governador do Uíge e do comandante provincial da Polícia.
O académico Luís Victor também critica a actuação das forças de segurança e alerta para a necessidade de uma postura republicana das autoridades. Segundo o analista, episódios semelhantes têm ocorrido durante actividades da oposição, situação que pode agravar a tensão política e dificultar a criação de um ambiente favorável às eleições gerais de 2027.
Entretanto, o presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, afirmou que o partido comunicou à Presidência da República os comportamentos que considera preocupantes e aguarda respostas das autoridades. O líder da oposição disse ainda que a UNITA procurou evitar confrontos e orientou os seus militantes e simpatizantes a não se dirigirem ao local inicialmente previsto para o comício, alegando preocupação com a segurança dos cidadãos.
Os acontecimentos no Uíge colocam novamente em debate a liberdade de realização de actividades políticas, a actuação das forças de segurança e a responsabilidade dos partidos na prevenção de confrontos.
Com as eleições gerais de 2027 no horizonte, os analistas defendem que é necessário reforçar o diálogo entre as forças políticas e garantir uma actuação imparcial das instituições, de modo a evitar que episódios de violência voltem a marcar o ambiente político nacional.