O Senegal está a endurecer a resposta às críticas dirigidas ao poder político nas redes sociais, depois de três criadores de conteúdos no TikTok terem sido condenados a penas de prisão por publicações consideradas insultuosas ao Presidente Bassirou Diomaye Faye.
As condenações levantam preocupações entre observadores e reacendem o debate sobre os limites da liberdade de expressão e da crítica política nas plataformas digitais.
Mandoumbe Diop, conhecido no TikTok como Lamignou Darou, recebeu a pena mais pesada, de três meses de prisão. O influenciador conta com mais de 500 mil seguidores e algumas das suas publicações alcançam dezenas de milhares de visualizações.
Os outros dois criadores de conteúdos, Magueye Diaw, conhecido como Oustaz Thiep, e Moustapha Ndiaye, conhecido como Ndiaye Touba, foram condenados a dois meses de prisão cada.
Os três influenciadores estão ligados à plataforma de conteúdos digitais Feenal Digital. Além das penas de prisão, cada um deverá pagar uma multa de 500 mil francos CFA, segundo o advogado.
O caso acontece num momento de tensão política no Senegal, marcado pelas diferenças públicas entre o Presidente Bassirou Diomaye Faye e Ousmane Sonko, antigos aliados e figuras importantes da ascensão do PASTEF.
O lançamento de um partido político próprio por Faye veio aumentar as dúvidas sobre o futuro da aliança entre os dois dirigentes e aprofundar as divisões dentro do campo governista.
Neste contexto, a condenação dos três TikTokers volta a colocar em discussão o espaço para a crítica política nas redes sociais e os limites da liberdade de expressão no Senegal.
O caso é também acompanhado com atenção por sectores que defendem maior abertura para o debate político online, sobretudo num país onde as redes sociais assumem um papel cada vez mais importante na participação e mobilização política.