A instabilidade que afectou a rede da Unitel há 24 horas levanta sinais de alerta sobre a segurança das infra-estruturas críticas de comunicação em Angola. Especialistas em cibersegurança apontam o ransomware e outros ataques digitais como possível causa do incidente.
Para Cesaltino Miranda, especialista em cibersegurança, o caso é um exemplo claro de como ameaças digitais podem comprometer operadoras de telecomunicações.
“O ransomware é um tipo de ataque em que os criminosos conseguem bloquear sistemas ou dados, exigindo resgate para devolver o acesso. Quando aplicado a uma operadora de telecomunicações, como é o caso da Unitel e outras, o impacto é imediato. Serviços de voz, dados, móveis e internet ficam condicionados, como foi reportado pela própria Unitel, afetando milhões de utilizadores”, explicou.
Segundo Cesaltino Miranda, este tipo de incidente mostra que a cibersegurança “não é apenas um tema técnico, mas uma questão de interesse público e nacional”.
“Empresas precisam de investir em mecanismos de prevenção, monitoramento constante e planos de respostas rápidas, disaster recovery”, defendeu.
O especialista reforça que o alvo dos criminosos não é o cliente individual, mas sim a infra-estrutura central da operadora. “Para os clientes, é importante compreender que ataques desta natureza não têm como alvo individual cada utilizador, mas sim a infra-estrutura central”.
Apesar da gravidade, Cesaltino Miranda vê uma saída, no fundo do túnel para a normalização dos serviços. “A boa notícia é que, com equipas especializadas, como é o caso da Unitel, e protocolos adequados, esperamos que a empresa tenha já preparado prontamente, muito antes de sofrer esses ataques, a recuperação é possível, embora possa levar algum tempo até a sua normalização”.
Impacto económico e nacional
Outro ponto levantado por analistas é o impacto na economia. Sem comunicação, travam-se vendas, pagamentos e a relação entre fornecedores de diferentes províncias. Há ainda o risco de migração em massa para a única operadora que está a funcionar plenamente neste momento, a africell.
Fernando Rogério, também especialista em cibersegurança, vai na mesma linha e fala em “resgate de dados”. Para o mesmo, o caso mostrou “alguma fragilidade concernente à cibersegurança da Unitel” e reforça a necessidade de departamentos de segurança a funcionar 24 horas.
A Unitel informou que uma avaria num equipamento central afectou os serviços e que as equipas técnicas trabalharam para a normalização.