Mulheres da antiga vila de Balgo, no Estado de Equatória Ocidental, no Sudão do Sul, destacaram o papel que desempenham na mediação de conflitos e na promoção da paz, apesar da insegurança persistente e das dificuldades de acesso a serviços essenciais.
Em declarações à Polícia das Nações Unidas, as moradoras denunciaram que a violência continua a comprometer o acesso à saúde, à educação e aos meios de subsistência, obrigando muitas famílias a abandonar as suas comunidades.
Segundo os relatos, a falta de medicamentos nos centros de saúde e o encerramento de escolas têm agravado a situação das populações, sobretudo das crianças.
“Nossas filhas estão crescendo sem ir à escola. Elas nem conseguem escrever os nomes dos pais”, lamentou a moradora Nora Joseph.
A Polícia das Nações Unidas considera que as mulheres têm desempenhado um papel fundamental nos esforços de pacificação das comunidades, participando em processos de diálogo e resolução de conflitos.
“A partir do momento em que uma mulher está envolvida nas negociações e na promoção da paz, os homens escutam e acreditam nelas”, afirmou Simpasa Benny, conselheira da Polícia da ONU.
Além dos desafios ligados à educação e à saúde, as mulheres relataram problemas de segurança quando se deslocam para as zonas de cultivo, situação que limita a produção agrícola e dificulta o sustento das famílias.
Perante este cenário, a Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul continua a trabalhar em coordenação com o Governo sul-sudanês para reforçar a proteção de mulheres, crianças e outros civis afetados pelo conflito, numa tentativa de melhorar as condições de segurança nas comunidades.