O conflito armado no norte de Moçambique continua a comprometer o acesso aos alimentos e a recuperação económica das famílias, sobretudo nas províncias de Cabo Delgado e Nampula, onde se prevê a manutenção de condições de crise alimentar até Janeiro de 2027.
Segundo a 73.ª edição do relatório Food Security Monitor, da Alliance for a Green Revolution in Africa (AGRA), cerca de 1,84 milhões de moçambicanos estavam em situação de insegurança alimentar aguda em Setembro, apesar de o país ter registado uma redução de 48% no número de pessoas afectadas em relação ao mês anterior.
O documento alerta que, apesar desta melhoria, a situação alimentar continua frágil nas regiões atingidas pela violência, onde os confrontos, as deslocações da população e as dificuldades de acesso aos meios de subsistência impedem muitas famílias de recuperar as suas condições de vida.
De acordo com o relatório, Moçambique registou a maior redução mensal do número de pessoas em situação de crise alimentar ou pior entre os países monitorizados. Ainda assim, cerca de 22% da população avaliada encontrava-se nessa condição, colocando o país na terceira posição entre os analisados quanto à proporção de pessoas afectadas.
A AGRA considera que os progressos alcançados continuam vulneráveis, sobretudo nas comunidades do norte, onde a instabilidade limita as actividades económicas e dificulta o acesso regular aos alimentos.
A persistência da violência e o deslocamento de famílias das suas zonas de origem continuam a afectar os meios de subsistência, dificultando a retoma da produção agrícola e outras actividades essenciais para garantir a alimentação.
O relatório prevê que as condições de crise alimentar persistam até Janeiro de 2027 nas áreas afectadas pelo conflito em Cabo Delgado e no norte de Nampula, evidenciando os desafios que Moçambique enfrenta para consolidar a melhoria registada.
A Alliance for a Green Revolution in Africa é uma organização pan-africana dedicada à promoção da produtividade agrícola e da segurança alimentar no continente.