Angola precisa de aumentar a produção agrícola nacional e reforçar a actividade dos produtores para responder às necessidades alimentares da população, reduzir a dependência das importações e melhorar o abastecimento dos mercados.
Segundo os dados apresentados pelo Presidente da República, João Lourenço, esta quinta-feira, 15 de Outubro, durante a Mensagem sobre o Estado da Nação, o país conta com 3.323.242 explorações agrícolas familiares e 5.858 explorações empresariais, das quais apenas 125 se encontram em produção efectiva.
Os números revelam a dimensão da actividade agrícola familiar no país, mas também colocam em evidência o desafio de transformar o potencial existente em maior oferta de alimentos.
De acordo com o Chefe de Estado, cerca de 6,4 milhões de pessoas, correspondentes a 50,7% da população empregada em Angola, têm como actividade principal a agricultura, a pecuária, a exploração florestal e as pescas.
Perante este cenário, o engenheiro agrónomo Francisco Dambi defende a expansão da produção nacional e um melhor aproveitamento das terras aráveis, considerando que Angola reúne condições para produzir mais alimentos, abastecer o mercado interno e criar excedentes para exportação.
O especialista considera igualmente necessário aumentar o número de produtores com actividade efectiva e garantir uma produção regular, capaz de responder às necessidades do mercado nacional. Na sua perspectiva, iniciativas pontuais de exportação não são suficientes se não forem acompanhadas por um crescimento consistente da produção.
No balanço apresentado ao Parlamento, João Lourenço destacou também o aumento da disponibilidade de meios de produção agrícola. A quantidade de sementes certificadas passou de 2.850 toneladas, em 2023, para 6.930 toneladas, em 2025.
Já a disponibilidade média de fertilizantes destinados à agricultura familiar aumentou de 13 mil toneladas, em 2022, para 173.604 toneladas, em 2026, segundo os dados apresentados pelo Presidente da República.
O Chefe de Estado referiu ainda projectos de irrigação, como Cacála e Coreia, Quizenga e Luinga, destinados a reforçar a capacidade produtiva de pequenos e médios produtores, empresas agrícolas e famílias camponesas.
Para Francisco Dambi, o desafio passa por transformar os recursos disponíveis em resultados concretos, com maior produção, fornecimento regular de alimentos e melhores rendimentos para as famílias que dependem da agricultura.
O reforço da produção nacional é considerado fundamental para a segurança alimentar, a dinamização da economia rural e a redução da dependência de produtos importados.