O discurso sobre o Estado da Nação do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, na abertura do ano parlamentar, continua a gerar reacções à porta da Assembleia Nacional.
Com 159 páginas, lidas durante quase quatro horas, o Chefe de Estado tocou em diversos aspectos da vida interna e da política externa do país, num discurso considerado de balanço dos dez anos do seu mandato.
No exterior do edifício sede do Parlamento, a equipa de reportagem recolheu as primeiras reacções.
Um representante da Confederação Sindical, que acompanhou o discurso, referiu que o Presidente deixou o recado de que o processo da lei que falta será implementado de forma gradual, como sempre se pensou.
Uma das autoridades religiosas presentes, líder da Igreja Tocoísta de Angola, defendeu que o país deve avançar de forma integrada para que todos os filhos possam usufruir das riquezas que Deus colocou no país.
Já o Reverendo Afonso Nunes, líder da Igreja dos Nossos Senhor Jesus Cristo no Mundo, destacou a menção às relações entre a Igreja e o Estado. Segundo o religioso, embora não de forma aprofundada, o Presidente reconheceu o papel das igrejas e dos seus líderes, que têm dado uma contribuição eficaz na criação de condições sociais e na manutenção da estabilidade emocional e da paz.
“A Igreja vai continuar nessa senda, mas é preciso que siga o seu discurso de transformação das mentalidades para que haja uma mentalidade nova neste país, gente nova que pensa por Angola e pelos angolanos“, defendeu, apelando à descentralização do desenvolvimento.
“É preciso que haja o retorno daqueles que vieram das províncias para as suas aldeias. Muitos vivem ainda aqui porque acham que Luanda é o sítio onde tem tudo. É preciso descentralizar para haver retorno às aldeias e comunas”, frisou.
O político Manuel Fernandes considerou que o discurso foi de balanço, mas entende que faltou apresentar indicadores não concretizados e as razões do incumprimento.
“Não se conseguiu concretizar o combate à corrupção, não se conseguiu a recuperação total dos activos no exterior. Falou-se dos 900 milhões, falou-se dos valores em Singapura, mas no nosso entendimento é muito mais do que isso. Deveria mudar-se a filosofia de abordagem deste problema“, criticou.
O mesmo responsável questionou ainda os dados sobre emprego: “Falou-se da criação de postos de trabalho, mas não se falou de quantas empresas foram encerradas e porque foram encerradas. São desafios que ficam para o próximo consulado“.
Último discurso sobre Estado da Nação de João Lourenço durou o triplo em comparação com o primeiro