Ngola Kabangu defende reconciliação baseada na verdade e na inclusão – Correio da Kianda

O nacionalista Ngola Kabangu defendeu, esta quarta-feira, 14, que a reconciliação nacional em Angola deve assentar na verdade histórica, na inclusão democrática e no reconhecimento do sofrimento das vítimas dos conflitos políticos, considerando que o Memorial dedicado a estas vítimas deve contribuir para aproximar os angolanos.

Em declarações à Rádio Correio da Kianda, à margem da inauguração do Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos, em Luanda, Ngola Kabangu afirmou que apoia iniciativas destinadas a promover a paz e a unidade nacional, desde que não contribuam para reabrir feridas do passado.

“Eu sempre apoiei as boas iniciativas que visam a unidade. Estou aberto a esta visão patrimonial. Tudo o que for no sentido de dar mais paz e esquecer as mágoas, eu tenho apoiado”, declarou.

Para o nacionalista, o Memorial deve representar um espaço de reconhecimento colectivo da dor vivida pelo povo angolano, permitindo que as vítimas, os seus familiares e a sociedade em geral se sintam parte de um processo comum de reconciliação.

Ngola Kabangu sublinhou, entretanto, que a concretização desse objectivo exige abertura e inclusão democrática, defendendo que a reconciliação deve abranger diferentes sensibilidades e experiências da história política do país.

“Tem de haver abertura, tem de haver inclusão democrática. Numa visão global, mas a abrangência vai ter o seu caminho, o caminho da verdade, da independência, da soberania, e será para finalmente serem reconhecidos e reconciliados”, frisou.

O nacionalista considerou que a preservação da memória dos conflitos políticos deve contribuir para o reconhecimento dos cidadãos afectados e para a construção de uma convivência nacional assente na paz, no respeito e na superação das mágoas.

Na sua intervenção, Ngola Kabangu apelou ainda à adopção de medidas concretas que conduzam a uma reconciliação abrangente e duradoura, defendendo que a homenagem aos compatriotas desaparecidos deve representar um passo efectivo na aproximação entre os angolanos.

“Como ser humano, como cristão, apoio tudo o que se faz para lembrar um ente querido que desapareceu, um compatriota. Mas digo bem, que tudo seja feito no sentido de dar passos seguros para uma verdadeira reconciliação”, concluiu.

A inauguração do Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos constitui uma iniciativa de preservação da memória histórica nacional, num contexto em que o reconhecimento do sofrimento das vítimas e a promoção da reconciliação continuam a marcar o debate sobre a construção da unidade entre os angolanos.

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