«MPLA INTENSIFICA INTOLERÂNCIA POLÍTICA» | Jornal Folha 8

O líder da UNITA, maior partido da oposição angolana e que – a muito custo – o MPLA ainda permite, acusou hoje “o regime que governa Angola” (há mais de 50 anos) de estar a intensificar actos de intolerância política, “com marcas de violência que envergonham o Estado e ferem a dignidade dos cidadãos”.

Adalberto Costa Júnior discursava na abertura da IV Reunião do Comité Permanente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), que se realizou na província angolana do Uíge, região onde, em Agosto, a polícia impediu com violência um acto político do partido.

“Nos últimos meses, vimos forças de defesa e segurança, particularmente a Polícia Nacional, a agirem com irracional brutalidade contra manifestações pacíficas”, disse o líder da UNITA, citando ainda os incidentes recentemente ocorridos em Cazombo, província do Moxico Leste.

Segundo o presidente da UNITA, estes dois incidentes são exemplos flagrantes, frisando que “em Cazombo, a Polícia foi ao ponto de profanar o sepulcro de uma figura monárquica local, violando a cultura e a tradição do povo Lunda-Ndembo”.

Para o político, “esses actos não são simples excessos administrativos, são sintomas de um poder desnorteado, que perdeu o sentido da legalidade e da convivência democrática”.

“Quando o partido de regime tem brigadas nas ruas para contacto com os cidadãos, são protegidos. Quando a UNITA tem membros nas ruas para contacto com os cidadãos, recebem resposta distinta”, lamentou.

“Em vez da protecção, vem a proibição. Muitas vezes com violência. O que sucedeu esta mesma semana no Cacuaco, em outros municípios de Luanda e um pouco pelo país, indica ser uma instrução, que viola o direito”, acrescentou, defendendo que “a violência gratuita” de que os militantes do partido foram alvo a 8 de Agosto, “usando a polícia como um instrumento de competição partidária, não se deve repetir”.

Na sua reflexão sobre o estado do partido e do futuro de Angola, Adalberto Costa Júnior destacou que a “UNITA vive hoje uma fase de extraordinária vitalidade mobilizadora”, referindo-se ao número de pessoas que aderem às atividades de massas o partido.

“A UNITA está a crescer e assistimos hoje à adesão entre outros de imensa juventude desencantada com a governação”, referiu.

O presidente da UNITA reafirmou os objetivos do projeto da Frente Ampla, “preparado para ganhar ainda mais corpo e adesão, rumo à alternância democrática em 2027”.

Esta é a primeira reunião do Comité Permanente da Comissão Política da UNITA, que se realiza fora de Luanda, capital angolana, desde a realização do XIV congresso ordinário do partido em 2025.

Numa análise detalhada sobre a situação no Uíge, Adalberto Costa Júnior considerou que esta província, à semelhança de todas as outras angolanas, “é uma terra rica, cheia de potencialidades agrícolas e humanas, mas que continua esquecida e asfixiada pela gritante falta de investimentos públicos”.



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