Psicólogo alerta para aumento de práticas ligadas ao ocultismo em Angola – Correio da Kianda

O psicólogo Amâncio Emanuel Justino alerta para o que considera ser um aumento de práticas ligadas ao ocultismo em Angola e defende a criação de políticas públicas de sensibilização para prevenir comportamentos associados a crenças transmitidas de geração em geração.

Em entrevista ao Correio da Kianda, o especialista comentava o caso de um cidadão detido na província do Bié, encontrado na posse de quatro crânios e várias ossadas humanas, situação que está a ser investigada pelas autoridades.

Segundo informações divulgadas pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), o suspeito terá utilizado instrumentos como catanas, enxadas e pás para desmembrar corpos, tendo alegadamente extraído gordura humana para produzir óleo utilizado na preparação de alimentos e consumido carne humana.

Para Amâncio Justino, casos desta natureza devem ser analisados com especial cuidado, por poderem envolver uma combinação de factores psicológicos, sociais e culturais.

O psicólogo esclarece, contudo, que não é possível determinar o eventual transtorno psicológico de uma pessoa sem uma avaliação clínica, considerando inadequado estabelecer um diagnóstico apenas com base nas informações do caso.

Segundo o especialista, indivíduos com determinadas vulnerabilidades psicológicas podem ser mais susceptíveis à influência de crenças e práticas extremas, sobretudo quando estas são reforçadas pelo ambiente social e cultural.

Amâncio Justino defende, por isso, que as autoridades devem apostar em políticas públicas de sensibilização e educação, particularmente nas comunidades onde determinadas crenças e tradições continuam a ser transmitidas entre gerações.

O psicólogo alerta que a desinformação pode levar algumas pessoas, sobretudo jovens, a acreditar que determinados objectos ou restos mortais possuem poderes capazes de lhes proporcionar riqueza ou outros benefícios.

“Devemos olhar com um pendor de seriedade e apelar à sociedade para que todos sejamos agentes de conscientização”, defendeu.

Para o especialista, o combate a estas práticas deve envolver não apenas as autoridades, mas também famílias, escolas, comunidades e sociedade civil, através da promoção de informação e pensamento crítico.

Amâncio Justino entende que uma resposta eficaz deve combinar prevenção, sensibilização, acompanhamento psicológico e responsabilização das pessoas envolvidas em práticas criminosas, sem confundir manifestações culturais com comportamentos que atentem contra a vida e a dignidade humana.

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