Angola prepara-se para estrear-se na produção de nióbio com o arranque do projecto mineiro da Bomba, no município de Quilengues, província da Huíla.
A revelação foi feita pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, no final de semana, durante uma visita à mina, destinada a avaliar as condições que antecedem o início da produção.
Com a entrada em funcionamento do empreendimento, Angola passará a integrar o grupo de países produtores de nióbio, um recurso mineral estratégico utilizado na produção de aços de elevada resistência, com aplicações em sectores como a indústria aeroespacial e tecnologias avançadas.
Diamantino Azevedo destacou a importância da entrada de Angola neste segmento, considerando que a produção do minério permitirá ao país ganhar espaço num mercado internacional actualmente dominado pelo Brasil e pelo Canadá.
“O Brasil é o país que detém a maior reserva desse recurso mineral, com 90%, seguido do Canadá. Angola, com o início da produção aqui nesta mina, passará a fazer parte deste grupo”, afirmou o ministro.
O governante considerou que a exploração do nióbio representa também uma oportunidade para reforçar a diversificação da economia nacional, através da captação de divisas e do aumento da contribuição do sector mineiro para os indicadores macroeconómicos.
Segundo Diamantino Azevedo, a entrada de Angola no mercado do nióbio permitirá igualmente colocar o país no mapa internacional dos produtores deste recurso e contribuir para o desenvolvimento socioeconómico nacional.
A implantação do projecto deverá produzir também impactos directos no município de Quilengues, sobretudo através da criação de postos de trabalho para jovens da região.
No âmbito social, o ministro assegurou que as famílias que vivem dentro do perímetro da área de exploração terão os seus interesses salvaguardados durante o processo de reassentamento.
O projecto prevê a construção de infraestruturas sociais, incluindo escolas, bem como uma albufeira para armazenamento de água destinada às operações da mina. A estrutura poderá também ser utilizada para reforçar o abastecimento de água às populações das áreas próximas.
A empresa deverá igualmente assumir responsabilidades na instalação de energia eléctrica na região, uma intervenção que, segundo o governante, poderá beneficiar tanto o empreendimento mineiro como as comunidades locais.
A mina da Bomba passa, assim, a constituir um dos projectos estratégicos para a expansão da actividade mineira na Huíla e para a entrada de Angola num novo segmento da indústria de recursos minerais.