Entre estádios em obras e casas emprestadas, começa o novo Girabola 2026/2027 – Correio da Kianda

O Girabola 2026/27 começou. E, como acontece em todo campeonato, a primeira jornada trouxe muito mais do que resultados. Houve golos, empates, vencedores, derrotados e, sobretudo, histórias que já começam a dar rosto à nova temporada.

A história mais curiosa da ronda aconteceu no jogo entre o FC Cabinda e o Recreativo do Libolo. O encontro foi disputado no Uíge, longe da casa habitual da equipa de Cabinda, devido às obras no Estádio do Tafe.

O Uíge será a casa emprestada do FC Cabinda. Mas a mudança de cidade não foi apenas uma questão de endereço.

Antes mesmo de a bola começar a rolar, o treinador Zola Nseka já tinha uma história difícil para contar.

Segundo o técnico, o plantel chegou ao Uíge dividido. Um grupo viajou de catamarã, enquanto os jogadores que acabaram por ser utilizados chegaram ao estádio apenas às 15h00, quando o jogo estava marcado para começar meia hora depois.

“Viemos aqui no Uíge com o plantel dividido, sendo que um grupo deslocou-se de catamarã e a equipa que foi a jogo chegou ao estádio hoje às 15h00 para jogar às 15h30. Isso é incrível, nunca vi isto na minha vida”, desabafou.

Depois de uma preparação tão pouco convencional, veio o jogo. E o Libolo não teve piedade: três golos, nenhum sofrido e três pontos para levar para casa.

O resultado colocou o conjunto de Calulo entre os líderes do campeonato, mas deixou também uma questão que merece atenção. Até que ponto as dificuldades logísticas podem condicionar uma equipa antes mesmo de entrar em campo?

Não se pode dizer que a derrota do FC Cabinda tenha sido causada pela viagem. O futebol é mais complexo do que isso. O Libolo teve mérito e foi eficaz. Mas também é difícil ignorar o contexto em que a equipa de Cabinda disputou a sua estreia.

Enquanto uns começaram a temporada a lutar contra o relógio, outros começaram a lutar contra os adversários.

O Bravos do Maquis foi um deles. A equipa entrou forte e derrotou o Sagrada Esperança por 3-0, resultado que a colocou também no topo da classificação. O Wiliete SC venceu a Académica do Lobito por 2-0 e mostrou igualmente que pretende andar entre os primeiros.

O 1.º de Agosto e o Interclube preferiram vitórias mais apertadas. Ambos venceram por 1-0, diante do Desportivo da Huíla e do São Salvador do Kongo, respectivamente.

Cinco equipas terminaram a jornada com três pontos. Outras cinco ficaram sem pontuar.

Mas há uma equipa que, apesar de não ter perdido, talvez tenha saído da primeira jornada com a sensação de que poderia ter levado mais.

O Petro de Luanda, um dos principais candidatos ao título, empatou sem golos diante do Desportivo da Lunda Sul.

Foi um jogo sem golos, mas não necessariamente sem significado. Para o Petro, começa a caminhada com apenas um ponto. Para o Lunda Sul, começa com a satisfação de travar um dos favoritos.

FC Luanda e CR Caála também empataram 0-0, enquanto 1.º de Maio e Kabuscorp do Palanca dividiram os pontos num empate a uma bola.

E assim terminou a primeira jornada: com Libolo e Bravos do Maquis no topo, acompanhados pelo Wiliete, Interclube e 1.º de Agosto, todos com três pontos.

Ainda é cedo para falar em candidatos definitivos, crise ou surpresas. A tabela, nesta altura, é apenas uma fotografia do primeiro dia.

Mas algumas histórias já começaram.

Na próxima jornada, o FC Cabinda volta a campo para receber o Desportivo da Huíla. Será uma nova oportunidade para a equipa transformar uma estreia complicada numa resposta dentro das quatro linhas.

E há um jogo que promete mexer com o topo da classificação. No domingo, 30 de Agosto, o CR Libolo recebe o Bravos do Maquis, num duelo entre duas das equipas que começaram o campeonato a vencer por 3-0.

No mesmo dia, a Académica do Lobito recebe o Petro de Luanda.

O campeonato está apenas a começar. Ainda não há campeões nem condenados.

Há apenas uma bola, 16 equipas e uma longa estrada pela frente.

E, como a primeira jornada já mostrou, algumas das melhores histórias do Girabola podem começar muito antes de o árbitro apitar. Até lá, estaremos aqui no Correio da Kianda para contar todas as histórias.

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