Jovens da Huíla dizem que falta de atenção os afasta da vida pública – Correio da Kianda

Jovens da província da Huíla dizem estar a afastar-se da vida pública por sentirem que as suas opiniões e preocupações não são ouvidas por quem toma as decisões.

A preocupação foi manifestada no programa Tribuna Livre, da Rádio Correio da Kianda, emitido a partir do Lubango, província da Huíla.

A académica e empreendedora Andria afirmou que muitos jovens deixaram de participar nos debates sobre os assuntos do país porque têm a percepção de que falar pouco ou nada muda.

“Não temos participado. Por quê? Porque parece que falamos e não somos ouvidos”, afirmou.

A jovem questionou a influência que os jovens têm na elaboração e aprovação das leis, defendendo que as decisões devem ter em conta os problemas enfrentados diariamente pela população.

“Somos nós, jovens, que estamos aqui em baixo? Porque realmente nós é que temos vivido e presenciado as dificuldades”, afirmou.

Para Ándria, os jovens devem ter mais espaço para apresentar as suas preocupações e participar na discussão das políticas públicas, sobretudo nas matérias que afectam directamente a sua vida.

A académica entende que, quando os jovens percebem que as suas opiniões não são consideradas, acabam por se afastar dos espaços de participação.

Segundo Ándria, se os jovens tivessem “um bocadinho de mais palavra e ouvidos”, muitos passariam a olhar de outra forma para a participação nos assuntos públicos.

Medo de perder cargos também cala cidadãos

Na mesma emissão, o sindicalista João Francisco apontou outro motivo que leva algumas pessoas a permanecerem em silêncio: o receio de perder empregos, cargos ou benefícios.

“Há pessoas que evitam falar para salvaguardar os seus interesses, os seus benefícios, os seus cargos”, afirmou.

Para o sindicalista, algumas pessoas preferem não expor as suas opiniões ou críticas para não colocar em risco aquilo que possuem ou a posição que ocupam.

A situação, segundo João Francisco, contribui para limitar o debate público e para que determinadas preocupações da sociedade não sejam apresentadas de forma aberta.

Os intervenientes defenderam, por isso, maior abertura para ouvir os cidadãos, sobretudo os jovens, e criar condições para que estes possam participar nas decisões que influenciam o seu futuro.

A discussão destacou a necessidade de aproximar os jovens dos processos de decisão e de garantir que a participação pública tenha efeitos concretos na definição das políticas e das leis.

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