RDC e rebeldes do M23 alcançam acordo sobre roteiro para negociações de paz – Correio da Kianda

O Governo da República Democrática do Congo (RDC) e a aliança rebelde liderada pelo movimento M23 consensualizaram um roteiro que define as etapas e os prazos para as negociações de paz, no âmbito de um acordo anteriormente assinado na capital do Qatar, Doha. O entendimento surge num momento em que a instabilidade militar persiste no leste do país vizinho.

O consenso foi alcançado após cinco dias de intensas conversações na Suíça, que contaram com a mediação e a presença de representantes dos Estados Unidos da América, do Qatar, do Togo, da Suíça e da Comissão da União Africana. As partes acordaram estabelecer um método padronizado para a notificação de violações do cessar-fogo, bem como criar um mecanismo conjunto para resolver eventuais entraves na implementação dos compromissos assumidos.

Como sinal de avanço no processo diplomático, uma missão de verificação do cessar-fogo está prevista chegar à região de Minembwe, na província de Kivu do Sul. Adicionalmente, as autoridades de Kinshasa procederam recentemente à entrega de prisioneiros à Aliança do Rio Congo (AFC) e ao M23, numa operação humanitária que contou com a mediação directa do Comité Internacional da Cruz Vermelha.

Apesar dos progressos diplomáticos, a situação de segurança no leste da RDC permanece extremamente volátil, registando-se confrontos contínuos no terreno. Porta-vozes da coligação rebelde denunciaram alegados ataques aéreos com recurso a drones por parte das forças governamentais em zonas povoadas de Minembwe. A Organização das Nações Unidas já havia alertado para o aumento do uso de aparelhos aéreos não tripulados por ambas as partes, o que tem agravado a instabilidade nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul.

A crise na região é ainda mais fustigada por um surto de Ébola que já vitimou milhares de pessoas. Desde o reacendimento do conflito, a ofensiva militar provocou a fuga de milhões de deslocados internos e a tomada de cidades estratégicas como Goma e Bukavu. O diferendo mantém fortes tensões regionais, com acusações mútuas de apoio a milícias entre os governos da RDC e do Ruanda, que nega qualquer suporte directo aos rebeldes do M23.

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