“CNE deve comunicar mais e esclarecer dúvidas sobre Eleições”, defende AJPD – Correio da Kianda

A Associação de Justiça, Paz e Democracia (AJPD) defende que a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) deve reforçar a transparência e melhorar a comunicação pública sobre o processo eleitoral, considerando que a falta de informação oficial contribui para o surgimento de suspeições e para a circulação de informações não confirmadas.

A posição foi manifestada pelo presidente da AJPD, Serra Bango, em declarações à Rádio Correio da Kianda, na sequência da recente reafirmação da CNE de que pretende intensificar o combate à desinformação nas redes sociais sobre as eleições gerais de 2027.

Para Serra Bango, o combate à desinformação não deve limitar-se à identificação ou denúncia de conteúdos falsos. Na perspectiva do responsável, é igualmente necessário que o órgão eleitoral disponibilize informação clara, regular e suficiente sobre matérias que suscitam dúvidas na sociedade.

O presidente da AJPD entende que a ausência de esclarecimentos por parte das instituições responsáveis pelo processo eleitoral cria espaço para interpretações, especulações e suspeições, sobretudo nas redes sociais.

“O que todos nós gostaríamos de saber da CNE é que informações tem sobre o processo de Registo Eleitoral Oficioso. Nós queremos ouvir isso, embora o processo não seja da sua competência directa”, afirmou.

A intervenção da AJPD ocorre num momento em que a CNE procura reforçar a comunicação institucional. O presidente do órgão, Manuel Pereira da Silva “Manico”, afirmou, a 19 de Agosto, que a instituição continuará empenhada numa comunicação credível, rigorosa e transparente, bem como no combate à desinformação que possa afectar a percepção dos cidadãos sobre os processos eleitorais.

A actualização do Registo Eleitoral Oficioso, que decorre de 15 de Junho de 2026 a 31 de Março de 2027, constitui uma das matérias que têm suscitado interesse público no âmbito da preparação das eleições gerais de 2027.

Outro assunto que tem provocado debate é a contratação da empresa espanhola INDRA para a solução tecnológica e logística das eleições. Segundo informação oficial da CNE, a empresa apresentou em Maio o plano de concepção, produção e distribuição da solução tecnológica e logística para o processo eleitoral de 2027, depois de vencer o concurso público lançado em Dezembro de 2025.

É precisamente em torno destas matérias que a AJPD entende ser necessário maior esclarecimento público, defendendo que a comunicação institucional deve antecipar as dúvidas da sociedade em vez de deixar espaço para que informações não verificadas ocupem esse espaço.

A discussão ganhou também dimensão entre organizações da sociedade civil, com iniciativas destinadas a acompanhar e monitorar o processo eleitoral e a exigir maior transparência sobre os procedimentos relacionados com as eleições de 2027.

Do lado da CNE, a resposta tem sido o reforço da comunicação oficial e o apelo à consulta de informação institucional, numa estratégia que o órgão considera necessária para combater a desinformação e preservar a confiança dos cidadãos.

Assim, enquanto a CNE coloca o combate à desinformação no centro da sua estratégia de comunicação, a AJPD entende que mais informação, transparência e esclarecimento público são igualmente fundamentais para reduzir as suspeições e fortalecer a confiança dos eleitores no processo eleitoral.

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