Unicef teme casos não identificados de mpox entre crianças na Guiné-Bissau – Correio da Kianda

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) manifestou preocupação com a possibilidade de existirem casos de mpox ainda não identificados entre crianças na Guiné-Bissau, devido à fragilidade do sistema de vigilância sanitária no país.

A preocupação surge no contexto do primeiro surto de mpox registado na Guiné-Bissau, que, até 17 de Agosto, contabilizava sete casos confirmados e 46 casos suspeitos.

Segundo o Unicef, entre os 46 casos suspeitos estão 23 crianças menores de 15 anos, incluindo 16 com idade inferior a cinco anos. Os sete casos confirmados correspondem, até ao momento, a adultos, sendo seis identificados em Bissau e um na região de Biombo, no oeste do país.

A representante do Unicef na Guiné-Bissau alertou que o sistema nacional de vigilância sanitária “continua a ser extremamente frágil”, o que aumenta o risco de que casos da doença não sejam detectados atempadamente, sobretudo entre crianças.

A organização considera a situação particularmente preocupante devido à vulnerabilidade das crianças a formas mais graves da doença e à necessidade de identificar rapidamente eventuais casos para interromper as cadeias de transmissão.

O Unicef alerta também para o risco de aumento da transmissão com a reabertura das escolas em Setembro. O regresso às aulas deverá intensificar o contacto entre crianças e poderá criar condições favoráveis à propagação do vírus caso não sejam reforçadas as medidas de vigilância, prevenção e resposta.

Para apoiar as autoridades guineenses no combate ao surto, o Unicef estima precisar de mais de 150 mil dólares, destinados ao reforço das acções de resposta, vigilância, comunicação de risco e protecção das crianças.

A mpox é uma doença viral transmissível entre animais e seres humanos e também entre pessoas. A infecção pode provocar febre, dores musculares e lesões na pele, entre outros sintomas.

Perante o actual cenário, o Unicef defende o reforço da capacidade de detecção e acompanhamento dos casos, particularmente nas comunidades e entre crianças, para evitar que infecções não identificadas contribuam para uma maior disseminação da doença no país.

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