O Presidente da Zâmbia, Hakainde Hichilema, foi reeleito para um segundo mandato nas eleições realizadas a 13 de Agosto, com 61,4% dos votos, derrotando o principal adversário, Brian Mundubile, que obteve cerca de 38%. Os resultados foram anunciados pela Comissão Eleitoral da Zâmbia, que considerou que os votos ainda pendentes não seriam suficientes para alterar o resultado.
A vitória garante a Hichilema mais cinco anos no poder, mas surge num contexto de forte contestação da oposição, que questiona as condições em que decorreu o processo eleitoral e denuncia uma disputa marcada por desigualdade.
As eleições foram consideradas um teste ao primeiro mandato de Hichilema, sobretudo pelo desempenho económico alcançado desde 2021. O Presidente apresentou como principais resultados a recuperação da economia, a reestruturação da dívida pública e o aumento do investimento, particularmente no sector do cobre.
Apesar dos avanços macroeconómicos, a oposição procurou capitalizar o descontentamento provocado pelo elevado custo de vida, desemprego e persistência da pobreza. Brian Mundubile defendeu que os ganhos económicos não chegaram de forma suficiente à maioria dos cidadãos e prometeu uma distribuição mais ampla da riqueza proveniente dos recursos minerais.
O processo eleitoral foi marcado por acusações de intimidação, restrições à actividade política e violência. Missões de observação nacionais e internacionais afirmaram que as condições verificadas durante a campanha contribuíram para uma “disputa desigual”, levantando preocupações sobre o espaço disponível para a oposição.
A contagem dos votos também enfrentou dificuldades. A Comissão Eleitoral suspendeu temporariamente o processo depois de ataques contra funcionários eleitorais e do alegado roubo de boletins de voto já preenchidos. A contagem foi posteriormente retomada sob reforço das medidas de segurança.
A tensão aumentou após a votação, com a detenção de 11 pessoas, entre as quais figuras ligadas à oposição. As autoridades justificaram a operação com alegadas ameaças à segurança do Estado e ligações a grupos armados e actividades de insurreição. A oposição rejeitou as acusações e denunciou uma tentativa de repressão política.
Brian Mundubile chegou a denunciar uma operação policial na sua residência, afirmando que a intervenção colocou a sua vida em risco. O Governo, por sua vez, afirmou que houve troca de tiros durante a operação contra suspeitos de actividades insurgentes.
Depois da confirmação da vitória, Hichilema procurou adoptar um discurso de unidade e estendeu uma mensagem de conciliação aos apoiantes da oposição.
Para o segundo mandato, o Presidente pretende duplicar o tamanho da economia zambiana e acelerar a criação de empregos, apoiando-se na recuperação da dívida, no investimento estrangeiro e no crescimento da produção de cobre.
O desafio será transformar os avanços macroeconómicos em benefícios mais visíveis para a população. Embora a economia tenha recuperado depois da crise da dívida, continuam as preocupações relacionadas com pobreza, desigualdade e custo de vida.
A reeleição de Hichilema representa, assim, simultaneamente, uma validação eleitoral das suas reformas económicas e um novo desafio político para responder às críticas sobre liberdades democráticas, condições de competição eleitoral e distribuição dos benefícios do crescimento económico.