Ainda o sol não nasceu por completo e Luanda já está em movimento. Nas paragens de táxi, nos mercados e junto às principais avenidas, trabalhadores procuram transporte, estudantes correm para as escolas e vendedores preparam os primeiros produtos do dia.
Entre os cheiros que começam a tomar conta das ruas está o do frango frito, da batata e do pão acabado de abrir. É assim que começa, para muitos luandenses, a história de mais uma magoga.
A receita é simples, mas pode variar de acordo com quem prepara. Normalmente leva pão, frango, batata frita, repolho ou salada e molhos como maionese, ketchup e picante. Há quem acrescente outros ingredientes para dar um toque próprio.
Mas preparar uma boa magoga começa muito antes de o primeiro cliente aparecer.
As vendedoras levantam-se cedo, compram os ingredientes, temperam e fritam o frango, preparam as batatas, cortam o repolho e deixam os molhos prontos. Quando os primeiros táxis começam a circular, já há bancas preparadas para receber quem precisa de comer rapidamente.
Uma dessas histórias é a de Edna Maria, vendedora da paragem da entrada do Patriota, município do Talatona. Segundo um relato sobre a actividade, Edna começava a trabalhar por volta das seis da manhã e tinha na magoga um dos produtos mais procurados pelos clientes.
Do outro lado da banca estão pessoas como Mateus, taxista, que sai de casa ainda de madrugada e nem sempre consegue tomar o pequeno-almoço.
Para ele, a magoga é uma solução prática.
“Paro, compro e continuo a trabalhar. Não preciso perder muito tempo”, conta.
Também há jovem. Carla, de 19 anos, diz que, quando sai atrasada de casa, prefere comprar uma magoga pelo caminho.
“É rápido e encontro em vários lugares”, explica.
E é precisamente essa facilidade que ajudou a transformar a magoga numa presença habitual nas manhãs de Luanda.
Ela pode ser encontrada junto às paragens de táxi, nos mercados, em zonas comerciais e nos bairros com grande movimento. Cassenda, Mutamba, Capolo, Kilamba e outras zonas de grande circulação têm vendedores que fazem desta sandes uma actividade diária.
Mas a magoga já não vive apenas nas bancas improvisadas. Em Luanda, existem pequenos negócios que fizeram dela o seu principal produto, mostrando como uma comida popular também pode transformar-se numa oportunidade de negócio.
Um exemplo é Marcelina, da Vila Flor, no Kilamba, que ganhou destaque pela forma como reinventou a apresentação da magoga, sobretudo durante o Afrobasket realizado recentemente em Angola e outros eventos desportivos.
Por trás de cada sandes existe, entretanto, uma pequena cadeia de sobrevivência: quem vende o pão, quem fornece o frango, quem comercializa a batata e, finalmente, quem prepara e vende.
Para muitas mulheres, esta actividade significa dinheiro para pagar as despesas de casa, alimentar os filhos e continuar o negócio no dia seguinte.
Mas existe também um desafio que não pode ser ignorado: a higiene.
Especialistas alertam para a importância de verificar as condições de preparação, conservação e armazenamento dos alimentos vendidos na rua. A qualidade da água, o estado dos utensílios, a conservação do frango e a reutilização do óleo são alguns dos cuidados que devem merecer atenção.
No final, a história da magoga mistura sabor, pressa, trabalho e sobrevivência.
É o pequeno-almoço de quem sai cedo de casa, a solução de quem tem pouco tempo e, para muitas vendedoras, uma fonte de rendimento que começa a funcionar quando Luanda ainda está a despertar.
Pão, frango, batata, repolho e molho. Ingredientes simples que, juntos, ganharam um lugar próprio na identidade alimentar da capital.
Esta foi a Reportagem do Dia da Rádio Correio da Kianda, 103.7 FM.